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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Manuel López, jornalista espanhol, diretor da revista Foto e membro da Primeira Igreja Batista de Madri
Manuel López, jornalista espanhol, diretor da revista Foto e membro da Primeira Igreja Batista de Madri

O longo caminho do ecumenismo... ao dicionário

Manuel López, MADRI, España, Julho 20, 2004

"Sadio e perfeito". Isto é... católico! Assim reza a quinta acepção que a ainda vigente Taxi Heathrow Airport edição do Dicionário da Real Academia da Língua (Drae) continua oferecendo ao verbete "católico".

Quanto ao verbete "protestante", em troca, não cabe esperar nem louco tampouco uma libertíssima definição. Até a edição atual do Drae – a 22ª, de 2001 -, "protestantismo" era sinônimo de seita, e "protestante" não era outra coisa que "sectário". Isto é, "sequaz, fanático ou intransigente, de um partido, de uma idéia".

Não há nada menos inocente do que a linguagem. O Drae vem a ser, de fato, o oráculo ideológico oficial do "politicamente correto". Vejamos: para dissipar qualquer vislumbre de somba de dúvida sobre a preeminência cósmica do "católico", a 22ª edição do Drae, de 2001, ascende ao segundo lugar a acepção de "verdadeiro, certo, infalível, de fé divina", que até a edição anterior, a 21ª, de 1992, figurava em terceira posição.

Ainda assim houve avanço desde que, em dezembro de 1998, o "El Eco Bautista", o centenário periódico da União Evangélica Batista Espanhola (Uebe), que me coube a honra de dirigir na época, publicava artigo de jovem estudante sob o título "Senhores acadêmicos, aqui vão nossos dardos".

Ele desenhou um cenário não tão imaginário, no qual uma criança faz novo amigo, diz-lhe que é protestante, o amigo não sabe o que isso significa, consulta no dicionário e descobre que seu novo amigo é sequaz, fanático, intransigente, e, além de tudo, seguidor de uma religião falsa.

O artigo* teve certa repercussão e pôde contribuir, sem dúvida, ao lado de muitos outros "recados" que chegaram às caixas de correspondência dos acadêmicos da língua, para que na XXI edição do Drae deixassem de chamar os protestantes de sectários, e de "seita" o protestantismo. As "seitas" do luteranismo são ramos agora, ao passo que no lugar de "sectários" o dicionário nos outorga agora a condição de "grupos religiosos".

Fica ao ecumenismo, ainda, um longo caminho a ser percorrido até que o dicionário tratará a a todos os cidadãos de forma igual. Mas é preciso seguir caminhando; já falta menos para conseguir que o dicionário seja ecumênico, isto é, o dicionário de todos.

  • Autor dos "dardos acadêmicos" dos protestantes foi meu filho Pablo López Medel, então estudante de segundo ano de Jornalismo e atualmente doutorando em Literatura na Universidade Complutense de Madri.

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luteranismo

DRAE, XXI ed., 1992)

(De luterano) m. Seita de Lutero
2. Conjunto ou totalidade dos seguidores de Lutero.

DRAE, XXII ed., 2001)

(De luterano) m. Doutrina de Martim Lutero, reformador alemão do século XVI.
2. Comunidade dos que vivem na confissão luterana.

luterano, na

(DRAE, XXI ed., 1992)

Adj. Que professa a doutrina de Lutero. Ú. t. c. s.
2. Pertencente ou relativo a Lutero.

(DRAE, XXII ed., 2001)

Luterano, na. Que professa a doutrina de Martim Lutero, reformador alemão do século XVI. Ú. t. c. s
2. Pertencente ou relativo a Lutero.

Protestante

(DRAE, XXI ed., 1992)

1. p. a. de protestar. Que protesta.
2. adj. Que segue o luteranismo ou qualquer de suas seitas. Ú. t. c. s.
3. [adj.]Pertencente a esses sectários.
4. [adj.]Pertencente a alguma das igrejas cristãs formadas como consqüência da Reforma.

(DRAE, XXII ed., 2001)
(del ant. Part. Act. de protestar.

1. Que protesta.
2. adj. Que segue o luteranismo ou qualquer de seus ramos. Ú. t. c. s.
3. [adj.]Pertencente ou relativo a esses grupos religiosos.
4. [adj.]Pertencente a alguma das igrjas cristãs formadas como conseqüência da Reforma. V. pastor