![Gideón Byamugisha demanda estrategia integral na luta contra a AIDS [Foto: Paul Jeffrey]](/picture/Gideon.jpg)
Sacerdote anglicano com HIV advoga estratégia integral contra Aids
Manuel Quintero, BANGKOK, Tailandia, Julho 14, 2004
O primeiro sacerdote anglicano na África que declarou abertamente estar infectado com o vírus da Taxi Heathrow Airport imunodeficiência humana (HIV) referiu-se, em coletiva de imprensa em Bangkok, à urgência de derrotar o estigma, e pediu que sejam superadas as noções simplistas na luta contra a Aids, substituindo-as por uma estratégia de luta integral.
"Sempre que sou solicitado a falar sobre a resposta das igrejas à epidemia da Aids, o primeiro exemplo que me vem à mente é o meu próprio bispo. Quando lhe disse que era HIV positivo, sua primeira reação foi de surpresa e desgosto. Mas em seguida se recompôs, orou comigo e por mim e disse: 'A partir de agora tu és como meu próprio filho'", relatou o sacerdote Gideón Byamugisha, da Igreja Anglicana de Uganda e funcionário da Visão Mundial Internacional.
"Além disso, convidou-me para morar em sua própria casa, assim que fosse possível atender-me pessoalmente. Depois estive a ponto de morrer, em 1998, perdi quase 20 quilos de peso e os médicos me deram apenas seis meses de vida. Graças aos cuidados do bispo estou aqui", acrescentou o sacerdote anglicano, que também é presidente da rede africana de líderes religiosos que vivem com ou são afetados pelo HIV e Aids, organismo conhecido pela sigla Anerela.
O segundo exemplo que Byamugisha trouxe foi o da rede africana. A rede destaca a esperança para o câmbio, a formação de uma liderança positiva. Ela reúne líderes religiosos que têm HIV ou Aids, ou que têm alguém enfermo na família, para que participem em conferências e retiros, e aprendam a lidar com a questão do estigma, assim que possam preparar suas congregações para desempenharem um papel compassivo e de cuidado aos doentes.
"Temos que lutar contra o estigma, temos que derrotar o estigma, porque ele provoca a morte de muitas pessoas por causa de uma doença que é e pode ser prevenida e controlada", enfatizou.
Em nível internacional, a rede participa com outras organizações em campanhas de defesa para, por exemplo, rechaçar a noção simplista que se esconde detrás da estratégia do ABC.
"Nessa estratégia é enfatizada a fidelidade e nós temos que dizer o que é incorreto nesse sentido: na África, 61% das mulheres que estão infectadas com o HIV ou que vivem com Aids nunca tiveram relações sexuais com outros homens, a não ser com seus maridos", frisou.
ABC deriva da sigla em inglês para "abstinência", "ser fiel" e "usar a camisinha". Trata-se de enfoque propagado por organismos como Christian Connections for International Health (CCIH) para a luta contra a Aids. CCIH é uma coalizão que agrupa aproximadamente 45 organizações cristãs católicas e evangélicas nos Estados Unidos.
"Quando alguém viaja por terra, utiliza um carro; quando chega ao mar, deixa o carro de lado e toma um barco; e quando tem que voar, o barco deixa de ser útil e é necessário tomar um avião. Da mesma maneira, não podemos enfatizar unicamente a abstinência, porque depois de 25 anos essa pessoa pode estar comprometida e deve saber o que fazer antes de tornar efetivo o seu casamento", argumentou o sacerdote anglicano.
Por isso é importante o que em Uganda leva o nome de estratégia integral. "Pessoalmente, não vejo como as religiões podem descartar um ou outro aspecto da estratégia", anotou, em resposta se as igrejas deveriam enfatizar unicamente a abstinência e a fidelidade, e deixar aos governos as campanhas que promovem o uso da camisinha.

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