Fé ajuda a enfrentar a Aids
Manuel Quintero, BANGKOK, Tailandia, Julho 13, 2004
A Namíbia, o país com a maior porcentagem de cristãos na África, pode desaparecer. Não por causa de uma guerra civil, nem por conflitos étnicos ou religiosos, mas pela crescente mortalidade vinculada à Aids.
Hoje, mais de 22% dos adultos padecem da doença e o país experimenta uma dramática diminuição da expectativa de vida da população.
Os cristãos representam mais de 80% da população na Namíbia, e desse total mais da metade são luteranos. Também estão presentes outras grandes denominações: católica romana, anglicana e reformadas, assim como um grupo de igrejas africanas independentes e as religiões tradicionais.
Nos últimos anos, frente a uma enfermidade que interrompe prematuramente o ciclo vital de um número crescente de namíbios, a ampla e profunda religiosidade desse povo tem representado um fator de suma importância em sua compreensão e resposta à epidemia.
Essa é a conclusão de pesquisa realizada entre 2001 e 2003 por especialistas do Instituto de Sociologia da Universidade de Giessen, Alemanha, cujos resultados foram apresentados na XV Conferência Internacional sobre Aids, reunida nesta semana em Bangkok.
"As pessoas com uma fé muito forte são menos propensas a acusar outros por terem lhes transmitido a doença. Essas pessoas consideram que somente Deus tem autoridade para julgar", assinala o estudo, baseado em entrevistas com
95 famílias integradas por pessoas infectadas pelo HIV e a Aids. O estudo foi realizado na região rural de Ovamboland, onde vive cerca da metade da população do país.
"Como resultado dessa atitude, o fato de que a infecção seja causada por um indivíduo reveste-se de menor importância e há uma ocorrência extraordinariamente alta de reconciliação na comunidade", destaca o estudo.
A fé também desempenha um papel destacado na aceitação do dano físico e a morte que vêm com a enfermidade.
"Tudo provém de Deus, assim que é preciso aceitar a situação", foi a resposta que muitos entrevistados deram. "E a solução também virá de Deus", acrescentaram.
Mas à margem desse tipo de fatalismo, a fé também ajuda como um atenuante frente ao sofrimento vinculado à Aids.
De acordo com os pesquisadores, Dr. Reimer Gronemeyer y Dra. Georgia Rakelmann, "a fé lhes oferece uma segurança emocional e, num sentido metafórico, um segundo sistema imunológico", disseram.
Em razão disso, os cristãos afetados pelo HIV e a Aids "têm uma disposição maior de viver positivamente de brigar favoravelmente com o medo, a marginalização e o estigma que vêm acompanhados com a doença", conclui o estudo.

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