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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Estigma e discriminação pesam sobre enfermos

Manuel Quintero, BANGKOK, Tailandia, Julho 10, 2004

 Em muitos países, pessoas que vivem com o HIV/Aids são estigmatizadas e sofrem discriminação, uma Taxi Heathrow Airport discriminação que pode destruir, em pouco tempo, amizades de toda a vida.

O estigma e a discriminação constituem sérios obstáculos para o progresso e a efetividade dos programas de prevenção da pandemia e o cuidado dos enfermos.

O tema foi apresentado em seminário do encontro ecumênico "Acesso para todos: a resposta da comunidade de fé", que reuniu em Bangkok, dias 9 e 10 de julho, 260 representantes de igrejas, agências e organizações cristãs engajadas na luta contra a doença.

Mas o seminário, cujo objetivo era a identificação de estratégias para reduzir o estigma e a discriminação relacionadas com a Aids, mostrou as dificuldades que existem para se alcançar consenso e propor ações concretas em torno da problemática.

Apesar da campanha desenvolvida a partir de 2001 pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pedindo a suas igrejas membros que assumam um papel de liderança na luta contra a discriminação, em muitas congregações locais a maioria dos membros continua expressando suspeitas ou temor frente aos doentes.

O ponto de partida do debate foi que todos os seres humanos albergam algum tipo de preconceito e praticam algum tipo de discriminação contra seus semelhantes, seja de natureza racial, étnica, de gênero ou por razões de doença.

Alguns participantes do seminário afirmaram que a discriminação está fundamentada na ignorância e, portanto, pode e deve ser combatida mediante uma correta informação.

Outros debatedores defenderam, a partir de suas experiências, que podiam "perdoar, mas não esquecer" a discriminação de que foram vítimas.

De uma perspectiva sociológica, a discriminação é um mecanismo legítimo que permite aos seres humanos organizar e ordenar seu entorno social, disse uma das participantes. Ela diferenciou a discriminação reservada ao fórum interno das pessoas daquela que se expressa em ações concretas.

É preciso reconhecer que "os seres humanos estão construídos de tal forma que não são capazes de aceitar a todos os demais", apontou.

A observação de que as igrejas têm responsabilidade fundamental no aparecimento do estigma e da discriminação contra as pessoas portadoras do HIV e contaminadas pela Aids foi rebatido.

Em alguns contextos, o estigma e a discriminação encontraram terreno fértil no estigma e na discriminação existentes quanto a homossexuais e prostitutas, os dois grupos de onde brotou, originalmente, com maior força a nova doença.

Apesar da diversidade de posturas, os participantes do seminário apreciaram os resultados positivos do programa de prevenção à transmissão da doença a mães e filhos, que a Comissão de Saúde da Convenção Batista da República de Camarões desenvolveu nos últimos anos.

Um representante desse programa referiu-se especificamente ao papel dos grupos de apoio criados com a participação de mulheres que contraíram o HIV e Aids. "Esses grupos tomaram consciência de seus direitos, expressaram suas necessidades e alcançaram maior compreensão de parte de seus maridos e das comunidades", enfatizou.

A complexidade e a ambigüidade do tema foi sublinhada pela boliviana Gracia Violeta Ross, que conduziu o seminário. "Existe um elemento de irracionalidade em tudo isso. Não importa quanta informação ou conhecimento tenhamos, ainda continuamos praticando a discriminação", disse.

Ross pediu que se reconhecesse que se trata de um processo, de um esforço permanente para identificar e superar as atitudes discriminatórias. Mas, concluiu, "só Deus, com o seu amor, pode mudar-nos".