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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

A luta contra a Aids é um ato de fé

Manuel Quintero, BANGKOK, Tailandia, Julho 10, 2004

"Nossa ação contra a Aids é um ato de fé, um ato de fé porque Taxi Heathrow Airport estamos seguros de que venceremos o estigma e a discriminação, e que mudaremos a história", disse o representante da Caritas Internacional, o italiano Robert Vitillo, ao resumir os principais frutos do encontro "Acesso para todos: a resposta da comunidade de fé".

O evento reuniu cerca de 300 cristãos de todo o mundo na capital da Tailândia, dias 9 e 10 de julho, em preparação à XV Conferência Internacional sobre Aids.

O balanço desses dias de trabalho confirmou que as comunidades de fé têm uma contribuição particular a dar na luta mundial contra o HIV e a Aids, baseada fundamentalmente no peso moral e ético das vozes de seus líderes e em sua capacidade para o cuidado pastoral.

As experiências compartilhadas de países como Zâmbia, Sérvia e Uganda, assim como de iniciativas de caráter continental na África e na Ásia, demonstraram que as igrejas, quando atuam unidas entre si e com outras organizações, fortalecem a vida das comunidades e possibilitam o avanço dos programas que combatem o HIV e a Aids.

"Aprofundamos a consciência do nosso papel como comunidades de fé, compartilhamos experiências e análises sobre temas de natureza ética e social, e reforçamos a cooperação entre nossas igrejas e organizações", acrescentou Vitillo.

"Também assinalamos como prioridade o fortalecimento de nossas capacidades, e afirmamos, com rotunda convicção, que não necessitamos financiamentos externos para amar-nos uns aos outros", assinalou o representantes da Caritas.

Os participantes do encontro afirmaram ainda o compromisso de construir comunidades de fé verdadeiramente includentes, destacando que "a cruz de Cristo é acessível para todas as pessoas" e que o ministério curador das igrejas não pode esperar mais.

Essa prática curadora, animada por uma "compaixão horizontal", tem como elemento central o contato curador, à maneira de Jesus, do qual falou a Dra. Mercy Odoyuye na conferência de abertura.

Como na passagem de Marcos 1,40-42, as igrejas se sentem movidas a exercer compaixão e a estender as mãos para aqueles que estão sendo estigmatizados e discriminados pelo motivo de serem portadores do HIV e da Aids. Assim, no culto de encerramento do encontro, os que se inclinaram em sinal de penitência em torno da cruz - formada no centro do salão com duas grandes telas e cobertura de velas - sentiram sobre seus ombros outras mãos, em expressão de solidariedade e compaixão.

"Quando nos reunimos em torno da cruz sabemos que a sanidade não representa, necessariamente, uma cura. Pode ocorrer que nos cabe prosseguir com nossa carga. Mas nossas feridas são incorporadas nas feridas de Cristo, como nosso quebrantamento se confunde com o corpo quebrantado de nosso Senhor", leu um dos celebrantes, lembrando que ninguém é excluído da cruz de Cristo.

Os participantes do seminário pediram sanidade, para eles e para muitos em todo o mundo, "da pobreza que expõe milhões ao HIV e à Aids, e aos conflitos étnicos e civis com sua trágica seqüela em crianças e mulheres violadas". Pediram, ainda, sanidade para os corações e os espíritos entristecidos "que tornam a vida vazia de todo significado".

"Promovemos uma presença ecumênica e de fé no seio da comunidade mundial na luta contra o HIV e a Aids e o temos feito por meio da oração, da reflexão, do debate, do compartilhar de experiências", enfatizou Vitillo.

Fraca presença latina

A grande ausente nesse encontro foi a igreja latino-americana, apontou Carlos Balcáceres, leigo católico salvadorenho e funcionário do Catholic Relief Service.

Na opinião de Balcáceres, essa ausência pode ser porque, frente às cifras da África e da Ásia, o problema do HIV e da Aids parece ser menos importante no continente latino-americano.

Mas os dados oficiais estão longe da realidade. Em El Salvador, por exemplo, os números falam de uma população com HIV/Aids inferior a 13 mil pessoas, quando estudos sérios dizem que esses números ascendem a 30 mil, destacou.

Estudo realizado no final de 2003 pelo organismo Unaids mostrou que 12 países latino-americanos, entre eles Haiti, República Dominicana, Belize e Honduras, têm uma incidência de HIV de 1% ou mais entre as mulheres grávidas, percentual superado apenas pelos países africanos.

A Aids converteu-se na principal causa de morte nesses países. O Haiti é o país mais atingido, onde 6% da população contraíram o HIV. No ano passado, cerca de 200 mil pessoas foram infectadas com o vírus no continente latino, elevando o total que sofre da doença a 2 milhões de adultos. Paralelamente, pelo menos 100 mil pessoas morreram de Aids nesse período.

O informe da Unaids, embora reconheça que o continente fez progressos significativos na provisão de cuidados e tratamentos de saúde, destaca que a epidemia corre o risco de estender-se rápida e amplamente por causa da ausência de políticas e respostas eficazes.

Uma dessas políticas, na opinião de Balcáceres, deve apontar o trabalho especializado com a adolescência.

Em El Salvador, comentou, o Catholic Relief Service coopera proporcionando assistência técnica e financeira a vários organismos católicos para "romper o ciclo de comportamentos tradicionais, no qual imperam noções e valores errôneos como o machismo, que fazem com que adolescentes se inclinem a relações sexuais prematuras e irresponsáveis, convertendo-se numa população de risco diante do HIV", disse.

O desafio para as igrejas latino-americanas consiste, agora, em enfatizar o que as une e desenvolver uma compaixão competente para avançar na luta comum contra o HIV e a Aids, concluiu.