![Eugen Drewermann, teólogo e pacifista da Alemanha [Foto: Micael Vier]](/picture/Drewermann.jpg)
Palestra e livro falam do papel da religião
Micael Vier B., SAO LEOPOLDO, Brasil, Julho 8, 2004
Na sociedade moderna verifica-se o agravamento da concorrência e do medo. "Estamos envoltos num sistema de maximização de lucros e, diante de tais circunstâncias, qual seria o papel da religião?"
A indagação é do teólogo alemão Eugen Drewermann em sua terceira e última conferência, ontem, no Simpósio de Aconselhamento e Psicologia Pastoral, organizado pela Escola Superior de Teologia (EST), em São Leopoldo.
O pacifista e terapeuta alemão apontou a integração ecológica entre homem e natureza, também a conciliação cultural entre as diversas religiões como tarefa futura no campo religioso. "É insuportável discutir quem tem razão em termos dogmáticos", disse Drewermann, salientando que, em meio ao caos do mundo moderno, nem mesmo os cristãos devem estar conciliados com Deus.
Na palestra, Drewermann salientou a importância do esvaziar-se no interior da alma, a fim de "acalmar a água para enxergar o fundo". Afirmou que a prática das pessoas consiste em empreender alguma coisa constantemente, mas nada resolver em definitivo.
Nesse aspecto, evidenciou o teólogo, o cristianismo tem muito a aprender com o budismo, cujos seguidores pedem por nada mais do que o simples sentir da respiração em seus corpos.
O amor, apontou, pode conter toda a felicidade. "Quem ama a Deus de forma pura não tem mais expectativas", disse. Contudo, essa postura de vida estabelece uma relação conflituosa com a conduta que se adota perante a religião e a sociedade.
"Enquanto no Oriente a meditação tornou supérfluo a psicoterapia, o Ocidente ainda depende dela para isolar todo o entulho neurótico à sua volta", afirmou.
O conferencista discutiu a importância do diálogo na tarefa de ajudar o outro a compreender suas angústias. Defendeu a suposição de que apenas uma conversa com bases emocionais, desprovida de qualquer preceito moral, estético, social ou político, pode corroborar para que alguém se aprofunde em seu próprio ser. Frisou também a importância do não fazer nada, pois pela não-ação tudo está feito.
Ao término da palestra, Drewermann lembrou o líder Moisés, que perguntou "em quem eu creio quando acredito em Deus?". E Deus respondeu a Moisés: "Eu estou por aí". A todo instante a gente pode encontrar-se com Deus, sem precisar defini-lo ao certo. "Deus é uma espécie de asilo onde somos capazes de encontrar proteção absoluta", anotou o pacifista.
Durante o Simpósio, Drewermann lançou o livro "Religião para quê? Buscando sentido numa época de ganância e sede de poder", editado pela Editora Sinodal em parceria com a EST.

Portada
Início
Comenta este artigo