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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Pluralismo religioso e transformações sociais

Carlos Martínez, SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS, México, Julho 7, 2004

A pluralização do campo religioso latino-americano continua revigorando-se. Os efeitos sociais do fato são múltiplos Taxi Heathrow Airport e, para entendê-los, é preciso compreender as variadas facetas que comportam as mutações religiosas em sociedades até há algumas décadas mais ou menos homogêneas quanto a crenças e de religião quase única.

Para dar conta do estado de diversificação religiosa e suas repercussões sócio-culturais, está em andamento nesta semana, de 5 a 9 de julho, em San Cristóbal de las Casas, Chiapas, o X Congresso da Associação Latino-Americana de Estudos da Religião (Aler).

Não é casualidade que os organizadores tenham eleito a antiga capital de Chiapas para realizar suas análises e tomar deliberações. Os Altos de Chiapas são, há bom tempo, um lugar de múltiplas transformações religiosas.

Elas demandam dos pesquisadores enfoques abertos, que não reduzam a riqueza do fenômeno estudado nem queiram aplicar receitas generalizadoras a particularidades que, por sua relativa novidade, são um desafio a certos mecanismos metodológicos.

Além do acerto na escolha da sede, conta a seu favor a reunião de especialistas com o apoio da várias instituições acadêmicas: a Unam, o Centro de Pesquisas e Estudos de Antropologia Social, a Universidade Autônoma de Chiapas, a Universidade de Ciências e Artes de Chiapas.

O governo do Estado, através da Subsecretaria de Assuntos Religiosos, há meses deu acolhida ao projeto que a diretoria da Aler lhes apresentou. Pela dimensão do congresso era necessária a conjunção de todos esses apoios.

As primeiras reuniões da Aler foram pequenas e modestas, se as compararmos com a magnitude e o número de trabalhos que estão sendo expostos no atual evento. Quando, em 1987, começaram os simpósios, parecia uma extravagância dedicar-se ao tema da religião e seus efeitos na sociedade.

É preciso lembrar que ainda estava em pé, então, o Muro de Berlim. Embora até final dos anos 80 do século XX alguns pesquisadores já chamavam a atenção sobre a revitalização do religioso no mundo, no México e na América Latina em geral, os que se dedicaram a estudar sistematicamente as crenças religiosas e as condutas dos crentes eram poucos e os apoios acadêmicos eram regateados e seus participantes tinham que realizar o trabalho quase por puro amor à arte.

Na sessão de abertura, a presidenta do X Congresso da Aler, Carolina Rivera Farfán, apresentou algumas premissas que, assim me parece, merecem ser sublinhadas por aqueles que investigam no amplo espectro sócio-religioso da América Latina. Em primeiro lugar, ela disse que os prognósticos sobre as sociedades modernas, que se tornariam cada vez mais seculares, "falharam de forma contundente".

O tema é polêmico, mas o certo é que a secularização não é uniforme nem tem as mesmas características em todo lugar e tempo. No nosso continente coexistem processos secularizadores da vida pública e reavivamentos religiosos de todo tipo.

Talvez poderíamos falar, para o nosso contexto, de uma secularização sui generis, o mesmo que de uma modernidade muito pré-moderna. Outra idéias exposta foi a clara tendência para uma maior diversificação religiosa em nossas terras e a complexidade da mesma.

Considero que o intrincado da heterogenização religiosa, e com isso a diminuição do poder simbólico da Igreja Católica num número cada vez maior de cidadãos, deve manter os pesquisadores em alerta, para não transladar explicações que são válidas para certos grupos e condições mas que mostram limitações quando são aplicadas estritamente a outras religiosidades e seus seguidores.

No que diz respeito a Chiapas, Rivera Farfán esteve certa ao afirmar que "há mais de 100 anos outras propostas não-católicas tiveram presença e atividade na vida" do Estado.

Isso é importante sobretudo quando se continua dando como fato em diferentes âmbitos, acadêmicos e jornalísticos, que o protestantismo chegou a Chiapas com os tradutores e missionários do Instituto Lingüístico de Verão, que vieram no final dos anos 30 do século passado.

Contamos com evidências contundentes que o cristianismo evangélico se instalou em distintas partes da geografia de Chiapas no final do século XIX e inícios do século XX, entre quatro e cinco décadas antes da chegada dos lingüístas norte-americanos.

Portanto, continuar afirmando hoje que o protestantismo fez sua aparição em Chiapas com o Lingüístico de Verão é, nem mais nem menos, que sustentar um mito.

Não há espaço para comentar outros pontos da intervenção de Carolina Rivera, mas vale a pena terminar esse texto com suas palavras:

- Apesar dos avanços, as pesquisas realizadas por muitos dos aqui presentes nos indicam, contudo, que a realidade não é tão simples e que ainda há os que não conseguem aceitar o convertido, aquele que decidiu abandonar o catolicismo (diocesano ou o de "costume") e acolher outra proposta e sua respectiva institucionalidade religiosa, apesar da crítica, da desqualificação e inclusive da marginalização de que tem sido objeto por parte dos próprios membros da família e da sociedade.

- Ou seja, pessoas e grupos que se atreveram a desafiar os riscos sociais, culturais e simbólicos que unem o desafio de abandonar uma religião e acolher outra.