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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Marco Fidel Ramírez, jornalista e pastor colombiano
Marco Fidel Ramírez, jornalista e pastor colombiano

O Evangelho é liberdade

Entrevista: William Delgado, BOGOTA, Colombia, Julho 7, 2004

O líder evangélico colombiano Marco Fidel Ramírez, entrevistado por William Delgado Gil, da ALC, opina Taxi Heathrow Airport sobre a situação da Colômbia.

Ramírez, 46 anos, desempenha liderança entre a juventude cristã. Em função dessa responsabilidade, tem viajado a vários países da Europa, Ásia e América. Colabora com organizações internacionais, como as Sociedades Bíblicas e a Associação Billy Graham.

Natural de Bogotá, Ramírez reside na capital colombiana com sua esposa, Luz Dary, e seus filhos Alberto, Esteban, Viviana e Natalí.

ALC: Como é que o senhor chegou a integrar o Ministério do Interior e de Justiça, no Departamento de Assuntos Religiosos do governo?

Ramírez: Em 1997, eu era assessor do senador Jaime Ortiz Hurtado, do movimento União Cristã, quando foi criado o setor de liberdade religiosa e não se nomeara para ele o funcionário responsável.

Meu currículo foi apresentado, estudado e selecionado entre vários candidatos em nível nacional. Reuni o perfil para exercer o cargo. O titular deveria conhecer o âmbito religioso e ter capacidade para administrar um conceito novo no governo colombiano, como era o tema da liberdade religiosa e de culto.

Ali permaneci um ano e meio antes de renunciar para dedicar-me ao compromisso ministerial na igreja a tempo completo.

ALC: Como foram reconhecidas as igrejas evangélicas e expedidas as primeiras personalidades jurídicas especiais?

Ramírez: A lei 133 estabeleceu que a partir de então as igrejas e confissões religiosas eram reconhecidas como tais por meio da Personalidade Jurídica Especial. O Decreto 782 reafirmou essa definição. Como subdiretor da Liberdade Religiosa e de Culto, minha responsabilidade era, em nome do governo colombiano, fazer o reconhecimento jurídico das igrejas e entidades que cumprissem os requisitos estabelecidos na lei.

ALC: Quantas Personalidades Jurídicas Especiais foram reconhecidas durante o seu período?

Ramírez: Cerca de 350 entidades foram reconhecidas em um ano e meio, porque justamente tive que fazer o reconhecimento histórico das igrejas do país como primeiro chefe desse departamento. Coube a mim levantar o conceito de liberdade religiosa e fazer o reconhecimento jurídico preliminar das primeiras igrejas do país.

ALC: De que maneira a Confederação Evangélica da Colômbia (Cedecol) tem agora a faculdade de conceder Personalidade Jurídica Especial?

Ramírez: A Personalidade Jurídica Especial é uma figura que foi criada há pouco, talvez no esforço do governo em determinar uma ordem maior nesse tema do reconhecimento e brecar alguns casos de pouca seriedade eclesiástica.

Como quer que seja, a Personalidade Jurídica derivada é, como o seu nome indica, um reconhecimento como tal. A igreja que acede a isso exerce, na qualidade de afiliada, pelo menos em termos fraternais, através desse vínculo jurídico que tem todos os efeitos legais correspondentes, com nome próprio, autoridade jurídica plena, e uma autonomia administrativa absoluta. Isso é, sem dúvida, uma alternativa para que muitas confissões acedam a um reconhecimento jurídico estatal.

ALC: Como avalia a participação de alguns líderes religiosos na política nacional?

Ramírez: Bom, o balanço é, evidentemente, agridoce. Eu diria que mais agro do que doce, para ser honesto, porque esses 13 ou 14 anos de exposição pública dos cristãos no âmbito político nos permitiram aceder a possibilidades de bênção para nossos direitos cidadãos.

Mas também projetou testemunhos muito desagradáveis e mostrou que muitos políticos evangélicos não honraram os princípios de Deus e não projetaram o testemunho correspondente, fato lamentável. Não são todos, mas sim um grande número.

Parece-me que nesse tema é preciso desenvolver educação política, fomentar a cultura política e moldar uma nova geração com critérios políticos para que sejam uma bênção nos postos de representação e não uma vergonha.

Essa é a motivação que tive para escrever o livro "Política, princípios e perigos", de grande aceitação e êxito na América Latina, para recolher o princípio bíblico da política e prover um referencial pedagógico aos que, a partir da igreja, estão preocupados com o tema.

ALC: O senhor participaria, como líder religioso, como pastor evangélico, de uma disputa eleitoral?

Ramírez: Por que não? Minha condição pastoral atual não anula minha capacidade intelectual, acadêmica e profissional. Sou jornalista, escritor, catedrático universitário e funcionário do governo colombiano.

Esse não é assunto de matéria distinta à verdadeira capacidade e, em seu momento, por suposição, ao do chamamento específico do Senhor. Aceitaria esse convite e esse desafio na consciência de que o Senhor o está a indicar.

Já o disse uma vez. Não prevalecemos, embora tivéssemos êxito. Faria uma segunda vez se Ele assim o requeresse. No momento, não tenho essa convicção, estou inteiramente dedicado ao meu trabalho ministerial, que para mim é o fundamental. Todo o resto, inclusive a política, é acessório.

ALC: Como vê o desenvolvimento, o crescimento da igreja evangélica na Colômbia?

Ramírez: É um crescimento maravilhoso. O Senhor honrou sua palavra ao permitir que víssemos na Colômbia uma grande colheita, que temos que administrar com responsabilidade. Sua palavra está correndo e sendo glorificada. A nós cabe levantar o nome do Senhor e proclamar o evangelho.

Essa é a nossa missão suprema e Ele está dando ao evangelho na Colômbia um grande crescimento. Obviamente, com esse crescimento vêm as dificuldades, vêm os problemas, mas, bom, o cristianismo sempre esteve rodeado de problemas, que são um referente através do qual o Senhor se glorifica em sua igreja.

ALC: De que maneira o conflito interno que a Colômbia vive afetou o crescimento da Igreja?

Ramírez: Obviamente o afetou nas "áreas quentes" do país. Muitas vezes os movimentos à margem da lei estabeleceram limitações para o desenvolvimento do evangelho e da atividade ministerial.

Não é segredo que na Colômbia os pastores são um dos segmentos sociais mais agredidos. Obviamente, o evangelho é liberdade, e alguns nesse país não querem liberdade. Querem alienação em nome de uma revolução, em nome de princípios de segurança perigosos, quando são levados ao extremo.

ALC: O senhor conhece pessoalmente ameaças e agressões contra pastores evangélicos?

Ramírez: Sim, claro. No âmbito ministerial a gente se inteira de pastores que sofrem ameaças, de pastores que foram seqüestrados, o que me causa profunda tristeza.

Não me alegra nada saber que alguns de meus colegas tiveram que sair do país porque suas famílias foram ameaçadas. Esse é um sinal da crise, muito perigosa na Colômbia, e Deus nos livre dela, porque é um sinal de decomposição social aterradora, penso eu.

Tenho nomes, mas não é o caso de mencioná-los, porque nisso também imperam as normas elementares de prudência. As estatísticas estão ao alcance das mãos, o Ministério do Interior tem várias delas e, por suposto, também as autoridades.

ALC: O que a Confederação Evangélica da Colômbia (Cedecol) faz diante desses casos?

Ramírez: Penso que faz o seu melhor esforço, de levantar uma voz de protesto quando pode, mas evidentemente o Cedecol, como qualquer organização eclesiástica, tem uma missão a cumprir.

Essa missão é fudamentalmente pastoral, ministerial. Já dentro da proteção real e do desenvolvimento executivo das medidas que asseguram a tranqüilidade dos pastores e ministérios é um assunto do governo. Nossa condição de ministros do culto não anula nossa prerrogativa cidadã.

ALC: O que a igreja evangélica na Colômbia pode esperar?

Ramírez: Creio que à igreja nesse país esperam duas circunstâncias fundamentais, na minha humilde opinião. Uma, um grande crescimento, porque o evangelho está abundando na América Latina. A Bolívia tem quase 10% de cristãos, a Guatemala em torno de 40%. Esses são dados algo otimistas, mas não muito longe da realidade.

Ao mesmo tempo que nos espera um grande crescimento, também nos esperam dificuldades. O caso da Colômbia, com as manifestações do Estado para supervisionar e controlar, mas são os contrastes que em último caso nos permitirão seguir crescendo, não apenas na Colômbia, mas no mundo.

ALC: Quem é Marco Fidel Ramírez?

Ramírez: Fidel Ramírez é um líder cristão que teve a oportunidade de conhecer o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador pessoal há 34 anos, o que tem sido a maior das bênçãos. Profissionalmente, sou jornalista, profissão que tenho exercido por mais de 20 anos em diferentes meios de comunicação, como na televisão e na imprensa.

Comecei a minha carreira na emissora Novo Continente há mais de 25 anos, e depois em emissoras independentes, como o Circuito Todelar da Colômbia, a Cadeira Caracol, como escritor e jornalista do jornal cristão Desafio, como programador independente e também como professor universitário por 17 anos, em diferentes universidades.

Tenho um master em Ciências Políticas e especialização em Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário. Na atualidade, dedico-me ao meu trabalho pastoral na Igreja Familiar Internacional, e viajo permanentemente, proferindo conferências e pregações a jovens e famílias.