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Domingo, 21 de Novembro de 2004

Bispo conclama governo e iniciativa privada a lutarem contra a pobreza

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Junho 28, 2004

Em meio às tensões instaladas entre o governo e a Igreja Católica, o bispo auxiliar Taxi Heathrow Airport da diocese de Manágua, Jorge Solórzano, instou a empresa privada e o governo a colaborarem para aliviar a dramática situação de fome que afeta o povo nicaragüense.

Segundo dados oficiais, 82% da população vivem na pobreza; desse total, 45% vivem na extrema pobreza, sobrevivendo com 2 dólares ou menos por dia.

Na quinta-feira, 24, o cardeal Miguel Obando y Bravo não recebeu, por causa da sua agenda lotada, o presidente da República, Enrique Bolaños, que lhe solicitara audiência, ao regressar do Japão.

O bispo Solórzano disse à imprensa que existia preocupação entre os pastores da igreja nicaragüense porque a imensa maioria do povo padece fome e a igreja não pode calar-se diante da injustiça.

"Cerca de 90% da membresia que atendo me confirmam que não têm nada para comer e também carecem de medicamentos. Essa situação continua se agravando e pode ser a causa de uma explosão social de graves conseqüências", advertiu o religioso.

O fosso entre ricos e pobres aumenta e isso é contrário ao evangelho. "Como pastores, temos que denunciar essa crise de pobreza. Deus não perdoa a insensibilidade e por isso faço um chamado" ao governo e às empresas privadas, disse Solórzano.

O presidente Bolaños, criticado por suas constantes viagens ao exterior, disse na quarta-feira, 23, que ele e sua mulher, Lila Abaunza de Bolaños, são muito católicos e que o seu governo jamais poderia prejudicar a igreja, descartando um confronto com a hierarquia eclesiástica.

"Meu governo nunca ofereceu aos editores e jornalistas de algum meio a publicidade estatal em troca de ataques ao cardeal Jamais faria isso, porque prejudicaria a minha igreja", explicou o presidente.

Nos círculos políticos comentou-se, na quinta-feira, que o embaixador da Nicarágua no Vaticano gestiona um novo convênio e que recomendaria alguns nomes para substituir o cardeal Miguel Obando y Bravo, que em 2001 apresentou sua renúncia ao papa por ter completado 75 anos de idade.

Segundo o analista político e ex-diplomata Róger Guevara Mena, em entrevista à Rádio Cepad, existe um convênio entre o Vaticano e a Nicarágua, assinado em 1861, que já não se ajusta mais à realidade social que o país vive. Esse convênio segue vigente, comentou.

O chanceler Norman Caldera confirmou que o convênio de 1861, ratificado em 1862 para melhorar as relações com a Igreja Católica, está sendo avaliado.


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