
Terra da expiação
Oneide Bobsin, SAO LEOPOLDO, Brasil, Junho 25, 2004
O que você foi em outra existência? Quem não gostaria de sabe-lo?
A pedido de Taxi Heathrow Airport uma revista especializada em fofocas sobre a vida íntima de pessoas famosas, de atrizes e atores, uma numeróloga vasculha vidas passadas de celebridades. Descobre que uma atriz famosa, loira, que se sente bela, poderosa, inteligente e amante das artes viveu outra encarnação em Paris. Do jovem cantor se diz que a sua facilidade em lidar com instrumentos musicais se deve ao fato de ter sido, em vidas passadas, uma famoso músico nos Estados Unidos.
Não poderia ter vivido outra vida senão na França, o ator de novela que arranca suspiros de milhares de meninas. Sua companheira de trabalho em telenovelas com altíssimo índice de audiência também não nasceu em qualquer país do Terceiro Mundo. Ela viveu outra vida nos Estados Unidos. E traz para esta vida a missão com a família e a maternidade. Talvez por isto que ela faz o papel de uma socialite que empurra um carrinho com duas crianças suas.
O famoso jogador brasileiro, que faz tremendo sucesso nos campos de futebol da Europa, na vida anterior lutou como samurai. Ele precisa buscar no Japão uma resposta para entender a sua vida.
A mesma sorte não tiveram a loira cantora, que faz shows e é conhecida pelo seu rebolado, e o cantor negro. A cantora é ridicularizada por suas respostas ingênuas, reforçando o preconceito de "loira burra".
Já o cantor negro, famoso no mesmo ramo em outras vidas, deixou coisas para fazer. Precisa, pois, resgatar o seu passado, concluindo o que ficou pendente nas questões sociais. Esses dois só podiam ter vidas passadas no Brasil.
A ridicularização de crenças dos outros vem pela forma banal como a revista trata de um assunto tão relevante - nossa origem e morte. A "loira burra" e o cantor negro só podiam ter tido vidas passadas num país de Terceiro Mundo. Gente famosa, ao contrário, é reconhecida por ter uma outra encarnação num país de Primeiro Mundo.
Mas o assunto não se limita à gente famosa dos esportes, da música e das telenovelas. Um reconhecido caderno de um dos mais conceituados jornais do Brasil perguntou a pessoas influentes do mundo acadêmico e do campo da cultura a respeito de coisas que gostariam de fazer antes de morrer. Sem recorrer ao espiritismo e ao espiritualismo, as respostas delas também demonstram algo semelhante ao que foi "revelado" pela numeróloga.
Um famoso pensador de esquerda gostaria antes de morrer, entre tantas coisas interessantes, alugar um carro e viajar três meses pelos Estados Unidos só para ver as folhas caírem no período do outono. Mais humilde é o cineasta influente que gostaria de voltar para a Itália com o objetivo de adquirir uma pedra-sabão no valor de 450 dólares.
Um famoso artista plástico não quer morrer sem antes fazer um cruzeiro pelo mar Egeu, ao lado de aprender a ter paz de espírito. Diferente das pessoas até aqui citadas, entre outras coisas a fazer antes de morrer, o famoso crítico literário gostaria de dormir em paz no túmulo do samba e de outros gêneros musicais, bem como das religiões afro-brasileiras.
Mais modesta é a artista plástica que se contenta em viver na Cidade do México. Já o escritor, diretor e ator influente gostaria de morar junto ao Central Park, numa cobertura de 10 milhões de dólares.
Como disse um conceituado geógrafo negro brasileiro, lamentavelmente só conseguimos reconhecimento aqui depois de sermos reconhecidos em países do mundo desenvolvido.
Sofrendo do mesmo preconceito por ter nascido na distante e insignificante Nazaré, de onde não poderia nascer algo bom (João 1. 16), Jesus é confirmado em sua vida e obra pela ressurreição que nos torna únicos e irrepetíveis, livres de dívidas e(x)ternas.
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Oneide Bobsin, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e professor de Ciências das Religiões da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo/RS/Brasil.

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