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Domingo, 11 de Julho de 2004

Em pleno inverno pílula AOE eleva a temperatura no Peru

Hugo Lévano, LIMA, Perú, Junho 21, 2004

O levonogestrel é um composto hormonal, que os médicos deveriam recomendá-lo aos pacientes com hipotermia, Taxi Heathrow Airport pois sua eficácia para fazer subir a temperatura ficou demonstrada na capital peruana na última semana.

A ministra da Saúde, Pilar Mazzetti Soler, neurologista e especialista em administração hospitalar, reafirmou na segunda-feira, 14, em entrevista ao jornal "El Comercio", a decisão de distribuir gratuitamente nos centros de saúde pública a chamada "pílula do dia seguinte", o Anticontraceptivo Oral de Emergência (AOE), cujo ingrediente ativo é o levonogestrel.

"A pílula será distribuída, porque do ponto de vista médico ela não é abortiva", garantiu a ministra.

A afirmação provocou uma rotunda resposta do cardeal e arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani. "Discutam horas e horas, porém a Igreja Católica tem que dizer que não está de acordo com a medida", disse.

O cardeal explicou que a Igreja Católica opõe-se ao AOE porque ela "impede o curso de uma nova vida". A temperatura aumentou quando o parlamentar e ex-ministro da Saúde, Luis Solari, declarou que o AOE "é abortivo". Afirmou que ela não vai diminuir o elevado número de abortos que se registra no Peru. Outros congressistas o respaldaram e anunciaram que interpelarão a ministra Mazzetti.

Nos dias seguintes, a Associação de Médicos Católicos e outras organizações profissionais também rechaçaram a decisão ministerial. O Ministério da Justiça apoiou a decisão, ao declarar, a pedido do Ministério da Saúde, que a distribuição da pílula "não é anticonstitucional" porque ela não é abortiva.

Um dos dirigentes da Associação Médica Peruana, Herbert Cuba, é a favor do uso do AOE, mas declarou que o uso da pílula do dia seguinte "deve ser autorizada somente com prescrição médica, pois se consumida regularmente pode causar câncer de mama e no útero".

Ontem, a ministra da Saúde admitiu a observação e declarou que o AOE não será distribuído livremente, mas sob prescrição médica.

Nos últimos dias foram divulgados comunicados de organizações feministas de respaldo à ministra Mazzetti, por "defender o exercício pleno dos direitos sexuais reprodutivos".

Um grupo de personalidades, entre elas o escritor Mario Vargas Llosa e o pintor Fernando de Syzslo, publicou Carta Aberta na qual diz que "o Estado tem a obrigação de garantir a disponibilidade de métodos anticoncepcionais", incluído o AOE, porém respeitando a liberdade das pessoas de decidirem.

O debate sobre o AOE teve início no começo do ano passado, e foi em parte responsável pela queda do ex-ministro da Saúde, Fernando Carbone, acusado de católico recalcitrante.

A ministra Mazzetti anunciou a decisão depois de encontrar-se, na semana passada, com o relator especial sobre Direito à Saúde da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, Paul Hunt, que visitou o Peru para abordar, entre outros temas, a saúde sexual e reprodutiva.

Em declarações ao jornal "El Comercio", de Lima, publicadas na terça-feira, 15, Hunt disse que embora o tema seja de responsabilidade do governo, é preciso levar em contar outros atores, como a sociedade civil e os meios de comunicação.

No Peru há grande sensibilidade sobre o tema do controle da natalidade, devido ao fato de que o governo do fugitivo ex-presidente Alberto Fujimori ter aplicado drástica política de restrição dos nascimentos, especialmente entre os setores pobres e campesinos, recorrendo a milhares de intervenções cirúrgicas de esterilização.

Uma pesquisa, publicada na terça-feira pelo jornal El Comercio, indica que 78% dos moradores de Lima aprovam a decisão da ministra, e 19% são contra.


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