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Terça-feira, 29 de Junho de 2004

Imprensa volta ao caso das cartas falsas

Hugo Lévano, LIMA, Perú, Junho 4, 2004

A investigação judicial sobre cartas, qualificadas como falsas, enviadas supostamente pelo cardeal Juan Luis Cipriani Taxi Heathrow Airport ao presidente Valentín Paniagua e ao ex-assessor do presidente Alberto Fujimori, Vladimiro Montesinos, centrou as atenções noutro bispo, ameaçando abrir fenda no episcopado peruano.

O diário Correo ilustrou hoje sua primeira página com manchete de tipo catastrófico: "Foi o bispo de Puno", ele que, disse, entregou em setembro de 2001 ao então ministro da Justiça e atual embaixador do Peru na Espanha, Fernando Olivera, as três cartas do escândalo.

Duas delas, uma assinada também pelo núncio apostólico Rino Passigato, eram dirigidas a Montesinos, pedindo a ele que gestionasse doações. Na terceira, dirigida ao presidente interino Paniagua, Cipriani pede que queime todos os vídeos que o mostravam em companhia de Fujimori e Montesinos, e que caíram em poder do governo depois da fuga do ex-presidente a Tóquio.

Segundo informação oficial, Olivera apresentou as cartas ao presidente Alejandro Toledo e ao gabinete, e resolveram tratar o assunto com extrema reserva. No mês seguinte, Olivera viajou a Europa e lembrou-se de apresentar as missivas ao Vaticano, para certificar-se da autenticidade das cartas.

A Santa Sé concluiu que as tais cartas eram falsas e o mesmo fez, depois, a Conferência Episcopal Peruana. Parece que foram escritas com fragmentos de outras cartas.

Mesmo assim, o cardeal Cipriani insistiu que o tema fosse investigado. Ele disse, no sábado passado, que a entrega das cartas ao Vaticano "foi um golpe baixo muito forte", "um ataque à figura de um cardeal e à figura da igreja".

As investigações oficiais foram reabertas e citados diversos envolvidos, inclusive o presidente Toledo e o embaixador Olivera, vários prelados e sacerdotes católicos.

A publicação do Correo, e que outros diários informam em páginas internas, refere-se às declarações que o dirigente do partido Frente Independente Moralizador (Fim), Gonzalo Carriquiry, fez na quinta-feira para a investigadora Martha Salinas.

Carriquiry disse em seu testemunho: "Posso dar fé que o bispo (Jorge) Carrión foi quem entregou as cartas ao ministro Olivera". Olivera é do Fim e Carrión bispo de Puno, no sudeste do Peru. O bispo negara perante a investigadora conhecimento sobre as cartas apócrifas. Admitiu ter-se reunido com o ministro, para entregar-lhe documentos solicitando apoio para sua região.

Outras testemunhas, segundo a imprensa de Lima, coincidem em atribuir a monsenhor Carrión a entrega, não a autoria, das cartas falsas. Mas o episcopado peruana respalda a inocência dele. O presidente da Conferência Episcopal e bispo de Tacna, Hubo Garaycoa, admitiu que o cardeal Cipriani está imerso num ambiente de alergia no atual governo. "Creio que (sua amizade com) Fujimori lhe fez muito mal", disse.

Acompanhado pelo primeiro ministro Carlos Ferrero, o presidente Toledo visitou ontem o cardeal Cipriani no Palácio do Arcebispado. Mas foi informado que somente trataram de temas da governabilidade do país, e que a visita fazia parte de uma série de entrevistas sobre o tema com líderes políticos e da sociedade civil, e que em nenhum momento abordaram o asssunto das cartas apócrifas.

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