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Terça-feira, 29 de Junho de 2004

Semana Wesleyana debate desafios ao ministério pastoral

SÂO PAULO, Brasil, Junho 4, 2004

A igreja saiu do espaço público e tornou-se uma instituição privada. Ela tem visibilidade mas Taxi Heathrow Airport não é compreendida como de interesse público. "Ela prega para as pessoas e não tem a mesma voz para o coletivo, para o país, para a cidade, nem mesmo para a crise da civilização", disse o reitor da Faculdade de Teologia metodista, professor Rui Josgrilberg.

O reitor participou da 53ª Semana Wesleyana, reunida na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), de 25 a 28 de maio, em comemoração aos 300 anos de nascimento de John Wesley, fundador do metodismo. Uma leitura dos sinais dos tempos é primordial para o ministério pastoral, definiu o palestrante, que apontou para uma crise eclesiológica e pastoral.

São sinais dos tempos o desemprego estrutural, a violência, o ódio no cotidiano e nas religiões, os limites que a civilização moderna está chegando, e a velocidade dos acontecimentos. Pastores e pastoras ainda são necessários? – perguntou Josgrilberg. A crise do ministério pastoral e da Igreja reflete a crise de sua presença no mundo, arrolou.

A Igreja, disse, tem dificuldades de responder às rápidas transformações sociais e uma das maiores questões que a envolvem é a crise de autoridade. "Pastores e pastoras tentam estabelecer uma relação direta com Cristo e deixam de lado a relação com a Igreja. Por isso, o nosso tempo testemunha a perda da idéia de ministério eclesial e fortalece a idéia de ministério pessoal", explicou.

Lembrou, contudo, que o sentido do ministério pastoral é o ministério de Cristo, que foi solidário a ponto de dar a sua vida. Todas as vocações são reflexo dessa vocação de Cristo, que é a razão de ser da Igreja. Portanto, o carisma do ministério pastoral, antes de pertencer a uma pessoa, pertence à Igreja, afirmou, segundo relato da Assessoria de Comunicação da Faculdade de Teologia da Umesp.

O equilíbrio entre as atividades de alcance público e as atividades de âmbito privado é um desafio para o ministério pastoral, arrolou o bispo metodista da 4ª Região Eclesiástica, Josué Adam Lazier, que abrange os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. O bispo também apresentou palestra na Semana Wesleyana da Umesp.

Entre as atividades de alcance público o bispo elencou o uso do púlpito, a atenção à porta do templo e a visitação; dentre as atividades de âmbito privado ele listou a oração, o estudo e a leitura da Bíblia, e o aconselhamento pastoral.

O púlpito, entende, é o ápice do pastoreio, pois é nele que o rebanho recebe orientação, de onde se alimenta o povo e desafia-se para o compromisso. "É por meio do púlpito que se pode desenvolver uma importante dimensão pedagógica da pastoral, que é o ensino e a doutrinação", disse.

A porta do templo, interpretou o bispo, é o local do exercício da dimensão profética e sacerdotal, de acolhimento dos que chegam e envio dos que saem, e local de observação da realidade em volta da igreja.

Já a visitação é a expectativa do rebanho. É por meio da visitação que se exerce o consolo, o aconselhamento. Trata-se de um meio de graça, em especial para as pessoas feridas e sem esperança, afirmou, enquanto a oração é o momento do encontro com Deus, imprescindível para o cultivo do ministério pastoral.

O culto que abriu o primeiro dia integral de estudos da Semana, na terça-feira, 25 de maio, trouxe à memória os 30 anos do ministério pastoral feminino ordenado na Igreja Metodista no Brasil. Foi pregadora a pastora Zeni Lima Soares, a primeira presbítera metodista, ordenada em 1974.

A pastora lembrou que a ordenação feminina metodista aconteceu numa época em que o Brasil enfrentava tempos difíceis com a repressão instaurada pela ditadura militar, mas também foi um período em havia muita esperança, resistência e luta.

Na vida da Igreja, frisou, havia o enfrentamento de desafios e compromissos com movimentos de libertação em toda a América Latina. Os desafios eram o pastoreio de esperanças, o alimento de sonhos, o estabelecimento da justiça com o intuito de recolher os frutos da paz, disse.

Na apresentação dos "Desafios no ministério pastoral no Brasil de hoje", que deu o tom ecumênico à Semana Wesleyana, o pastor batista Jorge Schutz fez uma trajetória pela história do protestantismo brasileiro, destacando que ele transplantou um modelo pastoral norte-americano, desconsiderando o contexto sócio-cultural brasileiro.

É preciso aprender com a história e buscar novos modelos que respondam aos desafios impostos pelo contexto no tempo presente, defendeu. Um desses desafios, apontou, é a urbanização. Para o pastor, é preciso que a igreja, que tem forte tradição rural, aproxime-se da cidade e seja capaz de responder aos seus anseios.

Além da urbanização, o ministério pastoral deve levar em conta as mudanças vividas pelo país nas últimas décadas, como o crescimento da consciência de participação popular nos processos políticos, os avanços tecnológicos, e o avanço da comunicação global.

O pastor batista apresentou quatro pistas para um modelo de ministério pastoral contextualizado. A primeira diz respeito a um dos fundamentos da pregação de John Wesley: negar-se a si mesmo. Nessa perspectiva, conservam-se no discipulado os que carregam a sua cruz.

A segunda pista é encontrar um modelo na ação de Jesus Cristo, o Deus Pastor, para o caos do mundo, e que leve em consideração a capacidade para o acolhimento, a restauração de processos de relacionamento, a referência ao próximo, e a disposição para o serviço na comunidade.

Um terceiro ponto para se refletir a respeito de modelo pastoral contextualizado seria reimplantar a igreja a partir da visão trinitária de Deus – a missio Dei. A quarta pista indicada refere-se à capacitação, com o objetivo de atuar em diferentes modelos de ministério e que levem em conta as complexidades do tempo presente.

Não pode haver um único tipo de ministério pastoral, mas diversos, que saibam lidar com os fenômenos contraditórios, para que os diferentes possam conviver, sem se excluir, e, a partir dali, construir uma caminhada de simplicidade, à luz do ministério de Cristo, que foi inclusivo e soube conviver com aquele que era diferente, destacou o pastor batista.

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