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Quinta-feira, 24 de Junho de 2004

Judith Van Osdol, responsável do CLAI para a Pastoral de Mulheres [Foto: M. Quintero]
Judith Van Osdol, responsável do CLAI para a Pastoral de Mulheres [Foto: M. Quintero]

Seminário examina uso da Bíblia em momentos de crise

Daniel Oliva, QUITO, Ecuador, Junho 3, 2004

Para debater o tema "Renovando nossos saberes: o uso da Palavra de Deus para edificar, Taxi Heathrow Airport curar e ajudar em momentos de crise", reuniram-se nesta capital, dias 31 de maio a 1. de junho, cerca de 40 delegadas e delegados das igrejas evangélicas do Equador.

O encontro ocorreu nas instalações da Igreja Evangélica Metodista Unida do Equador, a convite do Grupo Equador da "Pastoral das Mulheres e Justiça de Gênero", do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).

As oficinas foram dirigidas pela reverenda Judith van Osdol, secretária da Pastoral. Essa foi a segunda oficina realizada; a primeira ocorreu em maio de 2003, que deu origem ao Grupo Equador da Pastoral.

"No contexto social onde vivemos, num estado de crise permanente, muitos dos modelos de aproximação entre as pessoas sofredoras aprofundam a dor, no lugar de mostrar vias de transformação da crise", apontou van Osdol.

Ela acrescentou, no entanto, que "a crise não tema apenas um componente negativo, mas que também é uma oportunidade de crescimento e superação, tanto em nível pessoal, como comunitário e social".

Os participantes da oficina estudaram várias passagens bíblicas, tanto do Antigo como do Novo Testamentos, buscando bases e pistas para a construção de um modelo de liderança transformador. Ao trabalhar a aproximação pastoral em situação de crise, o grupo analisou as histórias da mulher samaritana e do encontro de Maria Madalena com Jesus ressuscitado, para compreender as visões de Jesus, a mulher e a crise.

A samaritana era estigmatizada pela cultura de seu tempo por causa de uma provável esterilidade, que fez com que fosse repudiada por seus maridos. Com a samaritana, Jesus vai até ao nível da crise dela, para começar um diálogo e uma revelação progressiva, que terminará fazendo da mulher estéril e repudiada a primeira missionária a evangelizar todo um povo.

Maria, carregando a dor de discípula por causa da morte violenta de seu Mestre, buscava entre os mortos, como remédio para sua própria situação existencial, ao que vive. Madalena foi desafiada a voltar-se de sua dor através do encontro com o Ressuscitado.

Jesus provoca nela uma conversão profunda, que permite a ela sair de sua dor e abraçar-se à alegria da ressurreição. De fato, Maria Madalena termina sendo enviada a ser a apóstola dos apóstolos, com a boa notícia: "Cristo ressuscitou". Ambas encontraram-se com um Jesus diferente ao muitas vezes pregado.

Também foi muito proveitoso o estudo dos relatos da criação, a partir dos quais aprofundou-se na "imago Dei" (imagem de Deus). Na interação com esses textos forcam colocados em evidência as limitações com que se tem crescido na fé cristã a respeito do pensamento sobre Deus e sua relação com o gênero.

Não podemos deixar de associar Deus com imagens de gênero, especialmente as masculinas, mas devemos reconhecer que na vivência da fé Deus se mostra com traços "femininos", tais como ternura, compaixão, sacrifício por seus filhos e filhas, disseram os varões que participaram da oficina.

A discussão deixou um tema pendente na agenda da Pastoral e das igrejas cristãs, que é o pensar e revisar a "imago Dei", para construir uma teologia e uma pastoral conseqüentes, propôs van Osdol.

Na síntese da oficina, delineou-se uma série de temas que serão debatidos pelo Grupo Equador da Pastoral das Mulheres e Justiça de Gênero. Nesta agenda, destacam a análise e revisão da "imago Dei", dos papéis e a identidade de gênero que nomeia homens e mulheres, e, a pedido de modo especial pelos homens que participaram do encontro, o início de um processo de análise da masculinidade como especificidade de gênero.