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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Líderes cristãos pedem diálogo nacional

Manuel Quintero, HAVANA, Cuba, Junho 2, 2004

Num clima de muita tensão política, marcado pelas novas medidas do governo de George Walker Taxi Heathrow Airport Bush encaminhadas no sentido de endurecer as sanções econômicas contra Cuba e favorecer mudanças políticas na ilha caribenha, começaram a ser ouvidas vozes das igrejas advogando um diálogo nacional acerca do futuro da nação.

As medidas anunciadas pela administração norte-americana buscam reduzir os ingressos em divisas conversíveis de Cuba, limitando a freqüência com que os cubanos residentes nos Estados Unidos visitem seus familiares na ilha. Atualmente, os residentes podem realizar uma visita ao ano e gastar até 164 dólares por dia. Com as novas regras, as visitas só acontecerão a cada três anos, com um gasto diário de 50 dólares.

Num encontro na Catedral da Santíssima Trindade, da Igreja Episcopal desta capital, na sexta-feira, 25 de maio, 200 pastores e líderes de 31 igrejas e organismos ecumênicos, entre eles 20 leigos católicos, disseram sentir-se "sumamente preocupados com o futuro de nosso povo, vítima de uma guerra econômica e midiática, que agora enfrenta novas medidas estabelecidas pelo governo dos Estados Unidos, que limitam ainda mais as relações entre a família cubana que sofre a separação e que criam mais dificuldades para o desenvolvimento da vida em nosso país".

O documento, levado ao público no final do encontro, expressa a disposição dessas igrejas e organismos em manter um diálogo "com a mais alta direção do governo cubano, a fim de enriquecer as relações das igrejas com o Estado e ampliar a ação pastoral e social das mesmas, parte essencial de seu ministério de serviço e fator importante dessa sociedade a que todos – cristãos ou não – aspiramos".

Também opõem-se a que "as pontes de reconciliação e de intercâmbios eclesiais, educacionais e familiares sejam limitadas por medidas dirigidas a uma hipotética transição que vá contra os ímpetos de criatividade e transformação que caracterizam as igrejas e o povo cubano".

Um dia depois, no sábado, 26, a Conferência de Bispos Católicos de Cuba (COCC) divulgou declaração na qual manifesta rechaço às medidas da administração Bush.

"Consideramos inaceitável que o futuro de Cuba seja desenhado na base da exclusão e menos ainda de intervenções concebidas por um governo estrangeiro", afirmam os prelados cubanos na nota, assinada pelo arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, e os bispos de Santiago, Pinar del Río, Cienfuegos e Bayamo-Manzanillo.

A COCC também criticou a reação do governo cubano de aumentar os preços dos produtos de primeira necessidade na segunda-feira, 24 de maio, e disse que

a medida representa um golpe nas famílias mais pobres da ilha, as quais "são especialmente prejudicadas, pois às dificuldades e às angústias de todos conhecidas acrescentam-se novas privações e cargas que vêm recrudescer sua já angustiante situação e a agravar a separação dos que vivem em Cuba e nos Estados Unidos".

Os bispos cubanos enfatizaram a necessidade de um "diálogo nacional", para resolver "a difícil situação econômica e social em que vivem os cubanos" e "empreender a construção de uma sociedade mais justa".

"A solução para a situação em que a nação cubana se encontra passa por um processo de diálogo entre os cubanos, de reconciliação, de busca", disseram os prelados.

Nessa mesma semana, o dissidente Osvaldo Payá Sardiñas, um dos principais gestores do Projeto Varela, anunciou o início do processo de diálogo nacional, do qual "poderão participar todos os cubanos que estejam dispostos a fazê-lo, sejam membros e simpatizantes do governo ou tenham posições políticas contrárias, estejam dentro ou fora de Cuba".

"Não sei se sou um ser da idade da pedra, que se nega a evoluir: mas assim como se apresenta o futuro do país nas propostas da oposição, não pode ser. Sigo apostando na utopia do socialismo e na possibilidade de uma transformação dentro do sistema", declarou o reitor do Seminário Evangélico de Teologia de Matanzas, Reinerio Arce, em resposta ao chamado de Payá ao diálogo nacional.

"Porque se não (for assim), iremos ao desastre e os momentos difíceis se abaterão sobre o povo, incomparáveis com as dificuldades que agora temos", frisou.