Três partidos evangélicos disputarão pleito municipal
Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Maio 27, 2004
Três partidos de inspiração evangélica da Nicarágua – Caminho Cristão (PCC), o Movimento de Unidade Taxi Heathrow Airport Cristã (MUC), e a Alternativa Cristã (AC), que obteve recentemente o reconhecimento legal - anunciaram que vão disputar as eleições municipais de novembro.
O MUC é aliado da Frente Sandinista de Libertação Nacional e o PCC estava coligado, até há pouco tempo, com o Partido Liberal Constitucionalista (PLC), dirigido pelo ex-presidente Arnoldo Alemán da cadeia, onde está preso.
A presença desses três partidos no cenário político é uma expressão do crescimento numérico evangélico. Pesquisa realizada pelo Instituto de Evangelismo e Fundo (Indef), há seis anos, mostrou que 16% da população do país eram evangélicos.
O Conselho de Igrejas Evangélica Pró Aliança Denominacional (Cepad), o Centro Intereclesial de Estudos Teológicos (Cieets), a Visão Mundial e o Centro Valdivieso estimam que a população evangélica da Nicarágua gira em torno de 28%.
O presidente e deputado do PCC, Guillermo Osorno, anunciou que vão disputar as eleições municipais sem se coligarem. Ele disse que está arrependido da aliança que fizeram nas eleições de 2001 com o PLC, porque muitos de seus líderes são arrogantes e soberbos.
O pastor pentecostal e presidente do MUC, Daniel Ortega Reyes, disse que já tem listados 24 candidatos para prefeitos e vice-prefeitos, que vão concorrer em igual número de municípios, dentre os 152 existentes.
"Contamos com uma base social porque temos uma trajetória limpa e hoje o voto evangélico é chave nas eleições", disse. Ortega Reyes avaliou, em tom otimista, que no ano de 2005 a FSLN e o MUC vão administrar cerca de 100 municípios, porque a classe rica na Nicarágua tem sido danosa e os evangélicos são uma alternativa.
O vice-presidente da AC, Mariano Suárez, confirmou que competirão sem alianças nas eleições municipais, porque, afirmou, "não queremos ser colagem de outro partido". Ele acredita que vão somar 200 mil votos, 10% do eleitorado. Nas eleições de 2006, revelou, a AC quer ter oito deputados na Assembléia Nacional.
O presidente da AC, deputado Orlando Tardencilla, conclamou o eleitorado para não seguir refém dos conflitos entre a FSLN e o PLC. "Não vale a pena seguir perdendo o voto em duas forças excludentes", afirmou. E criticou os outros partidos evangélicos, alegando que querem manipular a fé sincera dos nicaragüenses.
O PLC anunciou que inscreverá seus candidatos para prefeito e vice no dia 15 de julho, depois que forem ratificados na convenção partidária, agendada para o dia 11 de julho.
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