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Domingo, 30 de Maio de 2004

Militares e policiais agridem manifestantes

BOGOTA, Colombia, Maio 21, 2004

Militares e policiais colombianos atacaram com bombas de gás lacrimogêneo mais de 15 mil pessoas Taxi Heathrow Airport que se preparavam, na cidade de Cartagena, para realizar marcha pacífica, na terça-feira, 18, contra o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos.

A agressão contra mulheres, estudantes, trabalhadores e jovens durou quase três horas, ferindo 50 pessoas; 24 manifestantes foram presos. Participavam da concentração 20 membros da Igreja Presbiteriana da Colômbia, entre eles o secretário geral da denominação, Milton Mejía.

A marcha foi convocada pelas centrais de trabalhadores e pela Grande Coalizão Democrática, para marcar o protesto contra o início das negociações do Tratado de Livre Comércio no país. Acorreram à concentração integrantes de partidos políticos, sindicatos, organizações sociais, de direitos humanos, de mulheres, de jovens, de estudantes, de aposentados.

"Desde que chegamos notamos que a área onde se pretendia iniciar a marcha estava rodeada de militares e policiais. Um helicóptero militar voava a baixa altura apontando uma grande metralhadora aos participantes", relatou o reverendo Mejía.

Antes do início da marcha, os manifestantes receberam uma chuva de gás lacrimogêneo. "Vi as pessoas correrem, crianças e velhos caindo", contou Mejía. Os participantes da marcha apenas tentavam fazer valer o direito à manifestação, de maneira pacífica, "mas durante cerca de três horas o ataque se repetiu", disse.

A senadora Piedad Córdoba, do Partido Liberal, e o ex-prefeito de Barranquilla, padre Bernando Hoyos, explicaram que se tratava de uma marcha pacífica. Ainda assim a repressão da polícia foi violenta.

"A forma como os manifestantes foram tratados mostra como o presidente Alvaro Uribe entende a segurança democrática. É para dar garantias aos grupos econômicos poderosos da Colômbia, para os representantes do governo dos Estados Unidos e das multinacionais que estavam iniciando as negociações do Tratado de Livre Comércio no Centro de Convenções de Cartagena", analisou Mejía.

A primeira rodada de negociações do Tratado de Livre Comércio e a maneira como se deu a repressão a uma marcha pacífica "mostra que o governo está disposto a continuar desconhecendo direitos, e fazer uso do poder midiático e militar para alcançar seus objetivos, desconhecendo e contrariando a opinião de amplos setores do país", afirmou o líder presbiteriano.