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Sexta-feira, 16 de Julho de 2004

Analfabetismo bíblico preocupa evangélicos

Manuel Quintero, QUITO, Ecuador, Junho 21, 2002

Animados pelo crescimento das igrejas evangélicas nos últimos anos, mas preocupados com os sinais de Taxi Heathrow Airport fragilidade desse crescimento, organismos cristãos da América Latina reuniram-se em Quito, dias 13 a 15 de junho, para analisar em que medida a Bíblia acompanha a vida das congregações e fortalece sua liderança.

O evento, que contou com a representação de Sociedades Bíblias Unidas (SBU), Sociedade Bíblica Internacional (SBI), Visão Mundial (VM), Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL), Comissão Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC) e do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), também avaliou o papel que a Bíblia desempenha na renovação da vida das igrejas.

O encontro reuniu conferencistas e promoveu debates sobre temas como "Bíblia e a renovação eclesial", "Momentos importantes da Bíblia na América Latina", "Modernidade, pós-modernidade e as culturas latino-americanas", e "O lugar da Bíblia na vida congregacional".

No encontro, os participantes assinalaram o perigo que significa a perda da memória histórica nas igrejas evangélicas e apontaram a necessidade de se recuperar essa memória, tendo a própria Bíblia como eixo central. É preciso voltar às raízes, disseram.

"Somos igrejas de um livro, de um Senhor, e de uma fé", manifestaram vários representantes das organizações cristãs representadas no encontro. A liderança pastoral, foi destacado, deve ter sua base nos princípios bíblicos, evitando um certo "romanismo protestante", em moda.

Na opinião do pastor Israel Batista, secretário geral do CLAI e um dos animadores do encontro, "foi emocionante compartilhar o papel da Bíblia na história de nossas igrejas e sociedades, e recordar, especialmente, o papel do colportor bíblico, que nunca pensou em comercializar a Bíblia como um produto rentável, mas em difundir o livro da salvação".

O secretário geral do CLAI também fez referência às contribuições da Bíblia nas áreas da educação e democracia das sociedades latino-americanas. "As traduções da Bíblia aos idiomas indígenas tem sido uma contribuição ao caráter plural de nossas culturas, possibilitando a preservação dos idiomas de nossos povos e fortalecendo a sua identidade cultural", disse.

O fato de que a Bíblia esteja ocupando um lugar secundário, às vezes esquecida, nas congregações evangélicas foi motivo de profundo diálogo entre os participantes.

É essencial, ressaltaram, que se recupere a centralidade da Bíblia em relação ao louvor e à pregação. "Preocupa-nos o que alguns denominaram de um certo `analfabetismo bíblico'. A Bíblia deve normalizar, dirigir e alimentar tanto os trabalhos de evangelização como a do discipulado", avaliou Batista.

Como resultado dessas deliberações, cada um dos organismos participantes comprometeu-se de destacar o lugar da Bíblia na vida das congregações locais. Esse compromisso vai se traduzir em esforços conjuntos, como a produção de folders educativos, encontros de instituições teológicas, seminários de estudo bíblico nacionais, e utilização dos meios de comunicação para a difusão de temas bíblicos.

"O mais importante é que estejamos conscientes de que não é possível sustentar o crescimento de nossas igrejas se a Bíblia não for elemento central na vida de nossas congregações", declarou Batista.

A presença desse grupo de biblistas em Quito permitiu a oferta de dois fóruns públicos às igrejas locais, que contaram com a participação de mais de 300 pessoas em cada um deles.

 Os fóruns versaram sobre "A Bíblia e a pregação", a cargo do colombiano Luciano Jaramillo; e sobre "O lugar da Bíblia na congregação", enfocado pelo peruano Pedro Arana e a norte-americana Alicia Winters.


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