Do "pequeno povo feliz" à igreja preocupada com o crescimento
Manuel Quintero, SANTIAGO, Chile, Maio 19, 2004
O que significa crescimento? A ênfase deve ser dada à qualidade ou à quantidade? Por Taxi Heathrow Airport que e para que crescer? Essas perguntas foram debatidas no último dia do segundo encontro de famílias confessionais, que reuniu na capital chilena, de segunda a quarta, 65 bispos e bispas, presidentes e moderadores de igrejas, de 15 países.
O tema evidenciou mudanças fundamentais em igrejas que, até anos recentes, cantavam com plena convicção "somos um pequeno povo feliz", e hoje se comprometem em esforços evangelísticos que não descuidam do crescimento numérico.
Para o pastor Héctor Petreca, um dos painelistas e presidente da Igreja Cristã Bíblica da Argentina, algumas respostas são mais ou menos óbvias: "As igrejas fortes não estão construídas sobre programas, personalidades ou artifícios, mas sobre os propósitos salvíficos de Deus", assinalou.
Em sua própria igreja, disse, esses propósitos se realizam em cinco áreas fundamentais: adoração, ministério, evangelismo, comunhão e discipulado. O evangelismo é simplesmente "ir e fazer discípulos", disse Petreca. A Igreja Cristã Argentina foi fundada em 1973 e hoje está presente em todo o país, com mais de 25 mil membros.
A igreja, apontou, "existe para dar a conhecer a palavra de Deus... Se alguém descobre a maneira de curar o câncer indubitavelmente o tornará público. Nós sabemos qual é a solução para os problemas do homem e da sociedade, e temos que comunicá-la".
A ênfase no crescimento também tem estado presente na Igreja Metodista brasileira, sob a liderança do bispo Paulo Lockmann. O resultado é visível: um salto quantitativo que praticamente duplicou sua membresia: de 83 mil em 1989 para 164 mil em 2004.
Na região do Rio de Janeiro, o número de igrejas metodistas passou de 132, em 1989, para 285 em 2004, além dos 183 pontos missionários que provavelmente se converterão em igrejas num prazo relativamente curto.
Algumas estratégias e ações foram decisivas para esses resultados. "Recuperamos dois elementos fundamentais da nossa herança: a ênfase wesleyana na pregação e o princípio do sacerdócio universal dos crentes, um dos pilares da Reforma", explicou Lockmann, que também é o presidente do Conselho de Igrejas Evangélicas Metodistas da América Latina (CIEMAL).
Na região do Rio de Janeiro, isso se traduziu no número nada desprezível de 487 evangelistas leigos, muitos deles capacitados em cursos de formação, que não somente pregam e distribuem tratados com porções bíblicas, mas que atendem ministérios específicos com pessoas alcoólicas, enfermos e menores infratores da lei.
As mudanças na liturgia também desempenharam papel importante no reavivamento e crescimento do metodismo brasileiro. "Há 20 anos, todos os cultos em nossas igrejas seguiam o mesmo modelo, não duravam mais de uma hora com um sermão de 15 minutos, e o órgão era o único instrumento musical para acompanhar a liturgia. Era um culto como o que se realizava nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Isso mudou e hoje temos um culto metodista brasileiro", assegurou.
Em contraste, assinalou a reverenda Eileen Lindner, nos Estados Unidos as grandes denominações históricas do protestantismo estão perdendo membros, enquanto cresce o catolicismo - em parte graças à importante migração de latino-americanos - e as igrejas evangelicais.
Ocorrem ao mesmo tempo dois fenômenos interessantes: o primeiro, que um número significativo de igrejas pentecostais começam a envolver-se em temas de justiça social, como a luta contra a fome e a pobreza.
O segundo, que nessas denominações históricas, cuja membresia diminui, existe um renovado interesse por estudar suas raízes e herança, seja de Wesley, Calvino ou Lutero.
"Essas igrejas estão lutando e buscam ser fiéis à sua tradição e identidade num ambiente difícil", disse a pastora Lindner, que ocupou, por quase 20 anos, o cargo de secretária geral adjunta no Conselho Nacional de Igrejas de Cristo dos Estados Unidos.
A pastora chamou a atenção para o fenômeno que ameaça converter a fé cristã em outra mercadoria. "Nessas experiências religiosas não se busca a glória de Deus, mas o bem-estar e a comodidade pessoal", enfatizou. "Nessas experiências há um crescimento notável, porém não vejo ali o crescimento da Igreja de Jesus Cristo", concluiu.

Portada
Início
Comenta este artigo