![Chris Fergusson, representante do CMI no encontro de famílias confessionais [Foto: United Church of Canada]](/picture/Ferguson.jpg)
É preciso defender a vida num mundo que caiu em posse de ladrões
Manuel Quintero, SANTIAGO, Chile, Maio 19, 2004
Se a unidade das igrejas tem relevância, não é precisamente para preservar sua institucionalidade, mas Taxi Heathrow Airport para comprometer-se na luta a favor da vida, disse o reverendo Chris Ferguson no segundo painel intitulado "Dando testemunho da unidade", que trouxe uma perspectiva global ao debate no encontro de famílias confessionais, reunido desde segunda-feira na capital chilena.
Ferguson é funcionário da Igreja Unida do Canadá e representante do Conselho Mundial de Igrejas no evento. Ele analisou o modelo de globalização hegemônico que, disse, ao mesmo tempo em que uniformiza também fragmenta, e sobretudo "coloniza" as consciências, "fazendo-nos acreditar que o mercado é o único mecanismo para a satisfação de nossas necessidades e desejos".
A globalização produz inclusão e exclusão, ela "prende nossas consciências dentro de um pensamento colonizado que nos diz que não há alternativas", sublinhou.
Nesse contexto é preciso perguntar para que serve a unidade das igrejas. Ferguson lembrou que a palavra de Jesus, de que ele "veio para trazer vida em abundância", aparece, no Evangelho de João, depois da referência aos ladrões e salteadores.
"O mundo hoje está nas mãos de ladrões e salteadores, e o desafio para as igrejas e o movimento ecumênico é defender a vida, que é a nossa maneira de sermos fiéis ao propósito e à promessa de Jesus", enfatizou.
Outro painelista, o reverendo Viorel Ionita, da Igreja Ortodoxa Romana e funcionário da Conferência de Igrejas Européias (KEK), ressaltou que "o tema da unidade das igrejas tem sido, desde sua origem, um dos mais importantes para o pensamento e a prática ecumênica na Europa".
A oração de Jesus no Evangelho de João, "que todos sejam um", não deve entender-se simplesmente como um desejo que o Senhor expressou casualmente, mas como "um mandamento dado a todos os seus seguidores e, especialmente, a todas as igrejas", apontou.
O reverendo Ionita mencionou uma série de esforços bilaterais e multilaterais de avanço no caminho da unidade, entre eles o Acordo de Leuenberg, de 1973, entre as igrejas luteranas e reformadas; a Declaração Comum de Meissen, entre a Igreja da Inglaterra e a Igreja Evangélica Alemã, de 1988; e o Acordo de Porvoo, de 1992, entre as igrejas anglicanas da Grã Bretanha e da Irlanda, de um lado, e as igrejas evangélicas luteranas dos países bálticos e nórdicos de outro.
Também referiu-se à Carta Ecumênica, adotada em 2001 pela Conferência de Igrejas Européias e o Conselho de Conferências Episcopais (católicas) da Europa, como texto que oferece as pautas teológicas para "a crescente cooperação entre as igrejas" naquele continente.
O representante da KEK reconheceu que há diferenças de doutrina fundamentais que continuam sendo barreiras para a unidade visível e a fraternidade eucarística entre igrejas. Mas afirmou que no caminho para a unidade "as igrejas na Europa reconhecem o valor de suas próprias identidades confessionais, que elas não devem ser um obstáculo para o diálogo, mas, antes, o fundamento para se abrirem para uma valorização positiva de outras tradições cristãs".

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