Diretor de ONG defende ética da suficiência
SAO LEOPOLDO, Brasil, Maio 17, 2004
As religiões são chamadas a ajudar para uma mudança de valores frente ao consumo. Elas Taxi Heathrow Airport sempre alertaram que o materialismo pode corromper. "Precisamos, sim, de uma ética da suficiência para apreciar o que temos e valorizar as coisas que realmente queremos".
O chamamento é de Gary Gardner, diretor de pesquisa do Worldwatch Institute, ONG responsável pelo Relatório Anual Estado do Mundo, que traz dados sobre a degradação ambiental no planeta Terra. Ele entende que o cristianismo "teria muito interesse em pensar de novo sua postura frente ao consumo, já que isso faz parte de suas raízes, de seus ensinamentos básicos".
Em entrevista para o IHU On-Line, publicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Gardner disse que é preciso pensar profundamente no que significa desenvolvimento. "Sempre falamos em desenvolvimento como aumento do poder aquisitivo. Seguramente nos países mais pobres se necessite esse crescimento, mas nos países mais ricos, não necessitamos, pois já o temos", afirmou.
Um dos aspectos que o surpreendeu no Relatório Estado do Mundo 2004 é que uma casa nova nos Estados Unidos é, hoje, 38% maior que uma casa nova em 1975. A sociedade americana tem menos de 5% da população do planeta, mas consome 25% do carvão, 26% do petróleo e 27% do gás natural produzidos. "Precisamos, especialmente os americanos, de uma nova ética do consumo", enfatizou.
Sem uma mudança significativa nos padrões de consumo, Gardner se mostra muito pessimista quanto ao futuro da casa comum da humanidade. Também em entrevista para o IHU On-Line, o professor Marcel Bursztyn, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília, defendeu a radicalização da idéia de solidariedade em relação ao próximo e ao presente.
O modelo solidário sustenta a extensão das condições mínimas satisfatórias a toda a população do universo e iguais, ou melhores ainda, às próximas gerações para satisfazer as suas necessidades básicas. Bursztyn destaca que é preciso mudar os padrões de produção, de consumo e tecnológicos "e até mesmo a durabilidade e desejabilidade dos produtos".
Acima de tudo, é preciso definir o que são necessidades básicas, às quais todos os povos tenham acesso, o que é supérfluo "e como nós vamos inibir consumos supérfluos que são provocadores de algum tipo de degradação ou de esgotamento de recursos da natureza".
Em entrevista por e-mail ao IHU On Line, o economista, sociólogo e antropólogo Serge Latouche afirmou que o desenvolvimento é insustentável e que a expressão "desenvolvimento sustentável" é perverso e uma obra-prima da arte da desmistificação.
O termo "anestesia" o senso crítico das vítimas, quando as expressões "acumulação de capital, exploração da força de trabalho, imperialismo ocidental ou dominação planetária descrevem melhor o desenvolvimento e a globalização".
Latouche prefere o termo "desenvolvimento insustentável" porque ao menos se manteria a esperança de que aquele processo perverso um dia chegaria ao fim, acabaria vítima de suas próprias contradições e do esgotamento dos recursos naturais.
O economista e sociólogo enfatizou que é preciso, sobretudo, "reintroduzir o social e o político nas relações de troca econômica, reencontrar o objetivo do bem comum e de uma vida melhor no comércio social"; "descolonizar o nosso imaginário", desistir do "imaginário econômico, ou seja, da crença de que mais eqüivale a melhor".
O professor Marcel Bursztyn assinalou, contudo, que a proposta de congelar o crescimento da economia é "absolutamente inapropriada aos países que não se desenvolveram. Se nós formos congelar, quem é rico fica rico, quem é pobre, fica pobre".
O que permanece desse debate, prosseguiu o professor da UNB, é o desafio de como promover melhores condições de vida a populações que vivem em condições desfavoráveis, "sem repetir o mesmo modelo de crescimento econômico que foi praticado nos países que atingiram condições de vida muito elevadas, mas também a um custo muito elevado".
De fato, não tem como proporcionar a todos os habitantes da Terra as mesmas condições de consumo que os norte-americanos desfrutam. Segundo cálculos de especialistas, se os chineses decidissem elevar o consumo de carne bovina ao nível do americano médio, seriam necessários 343 milhões de toneladas de trigo por ano, o equivalente a toda a colheita de trigo dos Estados Unidos por ano.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) alertou que a humanidade consome, hoje, 20% além da capacidade de reposição anual do planeta. Assim, os terráqueos vão chegar a meados do século, nesse ritmo, com dois terços da humanidade sofrendo escassez de água. Os desertos avançam 60 mil quilômetros quadrados por ano e já atingem dois bilhões de hectares.
Em entrevista ao Jornal do Brasil, o jornalista e ambientalista Washington Novaes mencionou que, juntas, as três pessoas mais ricas do mundo têm tanto dinheiro quanto o equivalente à soma do PIB dos 48 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas.
O diretor de pesquisa do Worldwatch Institute citou ao IHU On-Line que o produto bruto mundial, hoje um pouco mais de 30 trilhões de dólares, aumentou em mais de 150% desde 1970, enquanto o índice Planeta Vida, que registra a saúde ecológica do planeta, decresceu 35% no mesmo período.
Assim, constatou, "a economia cresce e a saúde do planeta decresce. Muitos problemas da ecologia estão vinculados ao consumo".
Titulares dos ultimos dias
Luteranas do Cone Sul querem abrir espaços na igreja (Quinta-feira 05/20/2004)
Encontro de famílias confessionais conclama à unidade (Quinta-feira 05/20/2004)
(Quinta-feira 05/20/2004)
Filhos de mineiros desempregados vivem situação crítica (Quinta-feira 05/20/2004)
Violência social preocupa evangélicos (Quinta-feira 05/20/2004)
Pastora fica indignada com parecer de comissão norte-americana (Quinta-feira 05/20/2004)
ONU e CMI analisam situação no Oriente Médio (Quinta-feira 05/20/2004)
Juntos na missão, sem proselitismo (Quinta-feira 05/20/2004)
Do "pequeno povo feliz" à igreja preocupada com o crescimento (Quarta-feira 05/19/2004)
É preciso defender a vida num mundo que caiu em posse de ladrões (Quarta-feira 05/19/2004)
Organismo ecumênico participará na luta contra a aids (Quarta-feira 05/19/2004)
Cristãos preparam Semana de Oração pela Unidade (Quarta-feira 05/19/2004)

Portada
Início