Piedra critica teologia da prosperidade
CIDADE DO MÉXICO, México, Maio 10, 2004
Nas últimas décadas, a comunidade cristã foi dividida, de modo rápido, entre os que seguem Taxi Heathrow Airport a teologia da prosperidade e os que a desaprovam, afirmou o professor Arturo Piedra, da Universidade Bíblica Latino- Americana, da Costa Rica, e secretário para o México e a América Central da Fraternidade Teológica Latino Americana (FTL).
Piedra criticou a teologia da prosperidade em mesa redonda, na quinta-feira passado, ao se manifestar sobre a teologia da graça e a teologia da prosperidade, e o desafio permanente das teologias populares.
Seu trabalho, disse, destaca o desafio que as crenças populares da fé cristã representa para as teologias oficiais e acadêmicas, como é o caso das idéias religiosas provenientes da teologia da prosperidade.
No cristianismo, anotou, sempre operaram duas ou mais igrejas, e duas ou mais teologias paralelas. Na atualidade, uma das diferenças desta tensão com respeito ao passado firma-se no fato de que a teologia da prosperidade surge num momento de grande confusão cultural, além da crise que afeta a teologia tradicional.
Sob o predomínio da igreja como conseqüência de seu reconhecimento por Constantino, a graça, que na versão do apóstolo Paulo identifica a absoluta bondade e misericórdia de Deus com quem não as merece, converteu-se numa dogmática que ninguém podia questionar, indicou.
A vivência protestante não foi diferente da católico-romana. Assim que os reformadores Lutero, Calvino, Zwinglio definiram a rota da graça frente aos poderes da lei, seus seguidores, em sua maioria intelectuais, traduziram a linguagem que outrora fora tão viva e real, num conjunto de doutrinas de pouca relevância prática para os crentes, assinalou.
A reflexão sobre a graça na América Latina, mais do que reviver as discussões sobre a "teologia da graça", exige uma análise do que impede ou promove a manifestação da graça de Deus no mundo atual.
O interesse no tema da graça se vê, antes, animado por uma atmosfera de antigraça que domina o mundo de hoje, no qual um sistema econômico único produz e impõe uma realidade de antigraça e desgraça, enfatizou Piedra.
O nome de teologia da prosperidade, indicou, alude basicamente a una ênfase no bem-estar material como benção de Deus. Essa teologia é parte de um pacote religioso neopentecostal, que ganhou força na América Latina a partir dos anos 80 do século passado e que inclui doutrinas que vão desde a guerra espiritual, o ministério quíntuplo, o discipulado dos 12, até um programa agressivo de crescimento das igrejas.
A corrente religiosa da prosperidade enquadra-se no ensinamento dos "filhos do rei", que têm direito de receber um tratamento especial porque gozam de uma relação especial com seu Pai celestial, que fez todas as coisas e segue sendo dono das mesmas. É, além disso, um movimento religioso dominado e conduzido por "homens fortes", por profetas e apóstolos da nova marca, anotou.
Toda teologia é filha de seu tempo. As raízes da teologia da prosperidade relacionam-se com o "boom" econômico ocorrido após a Segunda Guerra Mundial e à tese de que o êxito individual depende de uma atitude mental positiva. Nesse aspecto, o discurso da teologia da prosperidade pouco se diferencia dos escritores da Nova Era.
A teologia da prosperidade tem duas áreas de influência muito definidas. Uma é a dos pregadores norte-americanos, e a outra provêm da Coréia do Sul. Também existe uma forte experiência africana e latino-americana, embora dependentes da linha norte-americana.
Essa teologia permitiu resgatar aspectos esquecidos quanto aos ensinamentos bíblicos. Entre eles, o ensinamento teológico contemporâneo que enfatiza que Deus sempre abençoa materialmente o seu povo com riqueza e saúde, assim como espiritualmente, quando existe uma fé positiva e obediente. Por isso é que David Sang Bok Kim, teólogo coreano crítico desta teologia, lamenta que o tema tenha ficado "nas mãos indisciplinadas de pregadores da prosperidade", comentou Piedra.
Destacou, por outro lado, que a salvação do reino de Deus é real aqui e agora em seu sentido amplo. A salvação que Jesus trouxe também significa, então, libertação da pobreza, da enfermidade e da opressão.
Contudo, adverte Piedra, por mais que se concorde com a crítica feita contra a teologia clássica, a teologia da prosperidade reduz a graça de Deus a conquistas mais materiais do que humanas. Deus perde autonomia e liberdade frente a uma consciência religiosa que lhe diz como e quando deve ser fiel a suas promessas. Nas palavras de Barth, a catástrofe da religião impede que Deus diga o Sim e o Não definitivos.
A teologia da prosperidade representa, talvez sem que seus promotores o proponham, uma leitura que para muitos é inovadora e escandalosa das doutrinas mais importantes do cristianismo. São muitas as reações que uma releitura teológica provoca, desde noções não tradicionais da pessoa de Deus, de Cristo e da igreja, assim como do pecado e do ser humano, concluiu.
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