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Domingo, 30 de Maio de 2004

Cardeal Cipriani volta à cena política

Hugo Lévano, LIMA, Perú, Maio 7, 2004

O polêmico cardeal e arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani, voltou às páginas políticas da Taxi Heathrow Airport imprensa e da televisão, com a retomada das investigações com base em três cartas dele, qualificadas como falsas pela Igreja Católica.

As cartas foram divulgadas pela revista Caretas em novembro de 2001, e estão dirigidas, duas ao assessor do ex-presidente Alberto Fujimori, Vladimiro Montesinos, pedindo-lhe apoio financeiro, e a terceira ao presidente interino, Valentín Paniagua, pedindo-lhe que ordenasse a queima de todos os vídeos em que aparecia o então arcebispo de Ayacucho com Montesinos.

As duas primeiras cartas apócrifas levam a data de 3 de julho e 12 de outubro de 2000, e, a terceira, supostamente dirigida a Paniagua, foi datada em 16 de julho de 2001.

O ex-presidente da Conferência Episcopal Peruana e ex-bispo de Chimbote, Luis Bambarén, que foi citado pela titular da 27. Vara da Província, Martha Salinas, a prestar depoimento, declarou que tomou conhecimento do assunto quando estava no Vaticano, acompanhando Sínodo de Bispos. Salinas investiga o caso das cartas falsas.

O então ministro da Justiça e atualmente embaixador do Peru na Espanha, Fernando Olivera, que viajara à Europa por outros assuntos, foi encarregado pelo governo, em outubro de 2001, de debater o tema com a  Santa Sé. Em dezembro, a Secretaria de Estado do Vaticano informou oficialmente que os documentos eram apócrifos.

O primeiro ministro na época, Roberto Dañino, declarou que em setembro de 2001 o governo teve conhecimento dessas cartas e resolveu tratar o tema com reserva, pois envolvia as relações com a Igreja Católica. A revista Caretas quebrou o sigilo.

Bambarén disse ontem à imprensa que, ao voltar de Roma no dia 30 de novembro do mesmo ano, informou a todos os bispos peruanos sobre a "grave situação" criada, "por envolver importantes pessoas do Vaticano, da nunciatura apostólica do Peru e do nosso episcopado".

Bambarén indicou que as cartas foram falsificadas, pegando recortes de outras missivas. Explicou que investigou o caso, porém não descobriu o autor de "tão grosseira falsificação", pois "o ministro da Justiça se negou a dar a fonte ou o nome de quem lhe entregou as cartas".

Por outro lado, monsenhor Bambarén referiu-se a publicações que apontam o bispo de Puno, Jorge Carrión, como autor ou a pessoa que entregou as cartas ao governo, e disse que "as autoridades deveriam retomar o caso".

Nos próximos dias, Salinas vai interrogar como testemunhas o  embaixador em Madri, Olivera, e outras pessoas envolvidas. O bispo Bambarén se pronunciará ao regressar de viagem à Espanha.