Crise institucional e narcotráfico preocupam pastores
Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Abril 30, 2004
Diante da crise internacional que a Nicarágua vive e o incremento do narcotráfico é preciso promover um redelineamento profundo da igreja como voz profética, declarou o pastor da Igreja de Deus, William Gónzalez.
Com esse objetivo, González convocou, em caráter de urgência, o Retiro Interdenominacional de Pastores Evangélicos da Nicarágua (RIPEN), para analisar a conjuntura do país e redigir carta pastoral, chamando os governantes e os políticos para que se preocupem com o progresso na nação.
As bancadas do Partido Liberal, no governo, e da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) reuniram-se, ontem, no Parlamento, para negociar a aprovação de 57 leis de caráter sócio-econômico, com o propósito de reestruturar a junta diretiva da Assembléia Nacional, composta por uma maioria de deputados liberais, o partido do ex-presidente Arnoldo Alemán.
O cardeal Miguel Obando y Bravo, organizador das festas patronais de Santo Domingo, celebradas nesta capital no mês de agosto, promoveu como postulante à presidência da Nicarágua o vice-presidente da República, José Rizo. "Ele é um bom bailarino e um bom candidato para a presidência da República", comentou o prelado católico.
Nos últimos meses, a profunda crise político-econômica e social que sofre a Nicarágua agravou-se por causa da ação do narcotráfico.
O pastor Ariel Quinto, da Igreja Assembléia Apostólica, disse que a droga é um flagelo que deve preocupar as igrejas imediatamente, para que a juventude não continue caindo nas garras do vício. Os pastores devem enfocar suas mensagens na orientação à juventude e contribuir com as autoridades na jornada anti-drogas, indicou.
O bispo da Igreja Apostólica, Mercedes Hernández, disse que a crise política, econômica e social é grave para o país e os mais atingidos são os pobres. Indicou que a alta dos combustíveis aprofundou a crise. "É preciso manter uma voz profética diante da crise institucional", sustentou.
Para o pastor da Igreja Apóstolos e Profetas, Salvador Madrigal, parece que a Polícia Nacional já não é suficiente para deter os narcotraficantes, que entram na Nicarágua por terra, céu e águas do Pacífico e do Atlântico. Os narcotraficantes entram na capital com mais de meio milhão de dólares, para corromper os jovens, assinalou.
O pastor Ramón López, secretário da Associação de Pastores Evangélicos da Nicarágua (APENIC), comentou que as igrejas devem unir-se para empreender uma cruzada anti-drogas. Precisou que APENIC mantém uma constante pregação sobre o perigo do que significa para os jovens o tráfico de drogas.
López informou que a Associação já tem personalidade jurídica, o que significa uma bênção, pois agora pode negociar fundos para obras sociais.
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