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Domingo, 30 de Maio de 2004

Estudantes e fiéis lembram monsenhor Gerardi

GUATEMALA, Guatemala, Abril 27, 2004

O sexto aniversário do assassinato do bispo auxiliar desta capital, Juan José Gerardi Conedera, foi Taxi Heathrow Airport lembrado, ontem, em diferentes localidades do país e na capital.

Estudantes e fiéis católicos, portando cartazes e rosas vermelhas, acorreram cedo às catacumbas da Catedral Metropolitana, onde estão enterrados os restos do prelado, assassinado no dia 26 de abril de 1998 por um grupo de militares.

Outra comemoração muito emotiva foi a "Marcha do Silêncio", realizada na sexta-feira passada por vizinhos da aldeia El Chal, no município de Santa Ana, Departamento de Petén. A caminhada teve início em frente a paróquia, sendo concluída no cemitério da localidade, onde se encontram 47 ossadas de pessoas massacradas durante o conflito armado no país.

O Movimento Monsenhor Gerardi e o Departamento de Direitos Humanos da Guatemala (ODHA) organizaram a apresentação do livro "Era tras la vida por lo que íbamos", como uma homenagem aos estudantes do ensino médio e universitário seqüestrados e assassinados durante o conflito armado.

Gerardi foi assassinado por volta das 22 horas do dia 26 de abril, ao entrar na casa paroquial da Igreja São Sebastião, depois de realizar uma visita familiar. Ele foi atacado por um indivíduo que bateu no seu crânio com um pedaço de concreto e depois destroçou o rosto do bispo com o mesmo instrumento.

A morte de monsenhor Gerardi ocorreu dois dias depois de ele ter apresentado publicamente o informe "Guatemala Nunca Mais", do Projeto Interdiocesano para a Recuperação da Memória Histórica (REMHI). O relatório responsabilizou o exército por mais de 90% dos massacres realizados durante o conflito armado interno, que durou 36 anos e terminou em 1996.

Em junho de 2001, um tribunal declarou como co-autores do crime os militares Byron Lima Oliva, Byron Disrael Lima Estrada e Obdulio Villanueva, especialista do exército, já falecido. Eles foram condenados a 30 anos de prisão. Também foi condenado a 25 anos, como cúmplice, o sacerdote Mario Orantes Nájera.

Mario Domingo Montejo, advogado da ODHA, explicou que a sentença, que deve ser confirmada por Corte Superior, não esclarece totalmente o crime. A equipe de advogados da ODHA busca a inclusão de mais cinco militares no processo, entre eles o coronel Rudy Pozuelos Alegria, ex-chefe do Estado Maior Presidencial, que é apontado como mentor intelectual do assassinato de Gerardi.