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Domingo, 30 de Maio de 2004

Representantes indígenas querem entrevista com Kirchner

BUENOS AIRES, Argentina, Abril 27, 2004

Representantes dos povos indígenas argentinos querem entrevistar-se com o presidente da República, Néstor Kirchner, para Taxi Heathrow Airport expor problemas de expropriação de terras ancestrais e buscar soluções. Presidentes e bispos de denominações vinculadas ao Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) vão acompanhar os líderes indígenas, em sinal de apoio às reivindicações.

Na reunião da Mesa de Assuntos Indígenas do CLAI, regional Rio da Prata, realizada no dia 20 de abril, em Resistência, capital da Província do Chaco, foi proposto que a entrevista com Kirchner seja agendada para agosto ou setembro.

Luis Acosta, da Igreja Menonita, denunciou na reunião de Assuntos Indígenas que a Câmara dos Deputados da Província de Formosa, na fronteira com o Paraguai, aprovou a Lei de Expropriação de Terras já entregues e escrituradas das comunidades indígenas Pilagás, de Campo do Céu, e do Quilômetro 30, localizadas na área do Banhado A Estrela, no oeste da Província. Outras 20 famílias autóctones também serão atingidas pela lei.

Essas terras ancestrais das comunidades indígenas foram recuperadas com mobilizações e lutas depois de restaurada a democracia, em 1983. O governador de Formosa, Gildo Insfrán, incentivou a aprovação da lei, sob o argumento de que essas terras serão beneficiadas por projeto hidroviário.

As terras em questão foram entregues à comunidade indígena em cerimônia realizada em Campo do Céu pelo vice-governador, Floro Bogado, que na época era o governador de Formosa.

De acordo com a Constituição do país e a Constituição da Província, essas terras não são passíveis de expropriação e não podem ser vendidas, alertou a Mesa de Assuntos Indígenas do CLAI-Rio da Prata.

Índios e camponeses são contrários à construção da hidrovia, obra que motiva a expropriação dessas terras. Eles querem que a obra seja revista, porque, argumentam, existem outras alternativas que não prejudicarão indígenas e autóctones.

O CLAI também debateu a situação dos índios Mbya Guarani da Província de Misiones, na fronteira com o Paraguai e o Brasil. Ali existem dois grandes grupos: uma organização não-governamental, chamada Associação dos Povos Guaranis, e o Conselho de Caciques, apoiado pelo governo da província.

A divisão faz com que todo esforço de trabalho comum perda efetividade. Foi proposta reunião com o vice-governador, Pablo Tschirch, membro da Igreja Batista, para buscar formas que conduzam à unidade da comunidade Mbya Guarani.