![Bispo metodista argentino Aldo Etchegoyen [Foto: Hideíde Torres]](/picture/Aldo.jpg)
Bispo pede mudança na estrutura do FMI e do Banco Mundial
WASHINGTON, Estados Unidos, Abril 26, 2004
O bispo emérito Aldo Etchegoyen, da Igreja Evangélica Metodista Argentina, disse que o hemisfério Sul Taxi Heathrow Airport reclama mudança na estrutura do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial "porque fracassaram em seus objetivos de favorecer o desenvolvimento e hoje só servem ao contínuo e maior crescimento da riqueza e poder das oito nações mais poderosas do mundo".
Etchegoyen expressou a opinião no painel "Processo de reforma e mudança de governo do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial", realizado na sexta-feira em Washington. O bispo argentino representou o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) no evento.
Um dos objetivos do FMI, lembrou Etchegoyen, é o de "facilitar a expansão e o crescimento equilibrado do comércio internacional e contribuir, desse modo, à promoção e manutenção de elevados níveis de emprego e de ingresso real; e ao desenvolvimento dos recursos produtivos de todos os seus membros como principal objetivo da política econômica".
Hoje, frisou, "não são organismos que servem ao desenvolvimento humano, mas ao maior crescimento e poder das oito nações mais poderosas do mundo, enquanto as nações dependentes e pobres continuam empobrecendo-se com a transferência de seus recursos econômicos para o serviço da dívida externa, como também pelo êxodo de milhões de pessoas que hoje oferecem sua capacitação e trabalho no norte".
Da perspectiva da fé cristã, a injusta e desigual ordem econômica internacional tem graves conseqüências humanas para milhões de pessoas. Na América Latina, disse, 250 milhões de pessoas sofrem exclusão e pobreza, e a metade das mortes na região são crianças menores de cinco anos, que morrem de fome, desnutrição e doença. Mas é uma região sumamente rica em recursos naturais, dos quais se beneficiam as nações mais ricas do mundo.
Essa situação, prosseguiu, não é casual, mas resultado de um bem elaborado plano político-econômico-militar, que levou os países da região a uma "escravizadora dependência", mediante o reprovável sistema da dívida externa.
Em 1975, a dívida externa da América Latina e do Caribe era de 69 bilhões de dólares. Desde então e até 1990 foram pagos 795 bilhões de dólares, mas hoje a dívida supera os 750 bilhões de dólares.
Os centros do poder tomam as decisões baseando-se em interesses financeiros-econômicos e os organismos religiosos e sociais procuram curar as feridas do sistema. Até quando seguirá essa grave situação de injustiça que permite a excessiva concentração sem limites de riquezas e o contínuo empobrecimento de países e comunidades? - perguntou o bispo.
A dívida externa gera conseqüências humanas como violência, deterioração da educação, da saúde, do desenvolvimento e das relações familiares. Uma grande parte das dívidas contraídas resultam de empréstimos concedidos a governos ilegítimos, como foram os regimes militares dos anos 70 e 80 do século passado, e que serviram a poderosos interesses econômicos internacionais e causaram o desaparecimento de mais de 120 mil pessoas.
Esse mecanismo é eticamente reprovável, enfatizou o bispo metodista. Uma decisão que marcaria alguma mudança nesse quadro injusto seria o perdão da dívida tomada por tais governos com o aval do FMI e do Banco Mundial.
Etchegoyen é membro do Comitê Central do CMI. Ele reclamou a urgente mudança nos dois organismos financeiros internacionais, prevendo voz e voto não pela capacidade de riqueza e poder dos países, mas pelo critério de membresia responsável. Também pediu igualdade na constituição da direção dos organismos.
Se não houver mudança nesse esquema, essas nações serão responsáveis pela maciça violação aos direitos humanos, sociais e culturais de milhões de pessoas, tanto nas nações pobres como nos bolsões de pobreza das nações ricas, apontou.
O representante do CMI reclamou um mecanismo através do qual os devedores tenham voz e voto nas decisões que são tomadas a respeito da dívida externa e que sejam ouvidos os organismos religiosos e não-governamentais. A injustiça também se estabelece quando o país mais rico do mundo tem direito a veto quando seus interesses são atingidos, disse. A Europa tem direito exclusivo de eleger o chefe do FMI e os Estados Unidos o do Banco Mundial.
A falta de eqüidade manifesta-se na constante pressão que sofrem os governos democráticos para a implantação de sucessivos ajustes econômicos. Na América Latina, todos os países estão sendo pressionados para se integrarem na Associação de Livre Comércio das Américas (Alca), proposta que esconde por detrás da palavra "liberdade" uma falta total de igualdade no intercâmbio comercial, denunciou. A posição dos EUA de manter os subsídios aos seus produtos é um exemplo dessa carência de eqüidade, arrolou.
No CMI, disse, "estamos vislumbrando uma nova forma de instituições financeiras. Elas deveriam ser menos ideológicas, menos burocráticas, mais flexíveis e mais pragmáticas. Deveriam prestar maior atenção a uma economia que sirva principalmente ao bem-estar das pessoas, que gere trabalho antes que fome, e educação e desenvolvimento antes que exclusão".
O movimento ecumênico, concluiu, criticou por anos a falta de democracia econômica, a flagrante desigualdade internacional na distribuição de ingressos, conhecimento, poder e riqueza. Em particular, a voz e a representação dos países em desenvolvimento nas estruturas de condução das instituições financeiras internacionais têm que ser ampliada e fortalecida, afirmou.
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