Voltar ao início

Sábado, 10 de Novembro de 2007

Líderes de igrejas opõem-se à derrubada de Gutiérrez

Manuel Quintero, QUITO, Ecuador, Abril 26, 2004

No momento em que cresce o descontentamento e o país parece avançar para uma nova Taxi Heathrow Airport crise institucional de graves conseqüências, e quando a embaixadora norte-americana, Kristie Kenney, saiu a público para afirmar que seu governo apoia plenamente o presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, líderes de igrejas manifestaram contrariedade à idéia de derrubada do mandatário equatoriano.

"Não queremos instabilidade política, nem que derrubem o presidente", declarou o presidente da Conferência Episcopal Equatoriana, bispo Vicente Cisneros, em coletiva de imprensa na quinta-feira, 22 de abril.

O prelado católico leu carta pastoral dirigida ao país, na qual pediu que "recuperemos a cordura, pois um país sem estabilidade democrática e sem equidade social não tem futuro".

No início da coletiva, o também arcebispo de Cuenca referiu-se aos enormes danos que a crise de anos passados trouxe ao país, quando ditaduras militares e presidentes que não terminaram seus mandatos conclamaram ao patriotismo, "para que todos sejam construtores da paz equatoriana".

O presidente da Federação Indígena do Equador (Feine), Marco Murillo, declarou à ALC que derrubar o governo não é a solução para os graves problemas que o país enfrenta.

"O presidente Lucio não é diferente dos que lhe precederam no Carondelet (o palácio do século XIX que é sede do Executivo). O que necessitamos é de uma profunda reestruturação do Estado e uma reforma constitucional, que leve a uma democracia mais participativa e ao enfrentamento da injustiça econômica", apontou.

Em menos de cinco anos, duas revoltas derrubaram dois presidentes equatorianos: Abdalá Bucaram, em 1996, e Jamil Mahuad, em 2001, este último por uma tumultuada ação cívico-militar na qual o atual presidente Gutiérrez desempenhou um papel destacado. Agora, Gutiérrez encontra uma ferrenha oposição dos partidos políticos tradicionais, principalmente da Esquerda Democrática, de grupos sociais e inclusive de setores militares.

A oposição acusa Gutiérrez de estelionato eleitoral, de nepotismo e corrupção em sua administração. O partido oficial, Sociedade Patriótica, está sendo investigado por suposto financiamento ilegal para sua campanha de partido estrangeiro, o Partido do Trabalho (PT), do México.

O agravamento da crise no Equador chega ao estágio em que a maioria dos latino-americanos duvida que a democracia seja a solução para a pobreza persistente e da desigualdade que afetam o continente, segundo estudo das Nações Unidas divulgado no dia 21 de abril, em Lima.

O estudo mostrou que mais de 54% dos latino-americanos apoiariam um regime "autoritário", se o autoritarismo resolvesse seus problemas econômicos.