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Domingo, 30 de Maio de 2004

Encontro ecumênico identifica temas do diálogo católico-pentecostal

BUENOS AIRES, Argentina, Abril 23, 2004

 Encontro que reuniu sacerdotes, pastores e leigos das igrejas Católica, Evangélica Pentecostal Argentina (IEPA), Boas Taxi Heathrow Airport Novas (Pentecostal) e Evangélica Metodista (IEMA) identificou diferenças e temas de diálogo entre essas denominações.

A reunião foi realizada em Bariloche, Província de Rio Negro, no sábado, 17, por iniciativa do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) regional do Rio da Prata, do Encontro Ecumênico Bariloche e do Episcopado Católico da cidade, e teve por objetivo encontrar-se, conhecer-se, e analisar as dificuldades e possibilidades de diálogo entre as tradições católicas e evangélicas.

No final do encontro, os participantes propuseram a formação de equipe que programe novos encontros de diálogo. Também recomendou que o Encontro Ecumênico Bariloche procure incorporar novas igrejas nessa tarefa, descubra aliados no diálogo católico–pentecostal, insista na oração comum, trate temas pastorais nos futuros diálogos e tenha um novo encontro na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Na parte das apresentações, o pastor Santiago Cortez, vice-presidente da IEPA, relatou que sua denominação chegou à Argentina como missão do Chile, e que seu avô, fundador da IEPA, estabeleceu a primeira igreja em São Rafael, Mendoza.

O padre Juan Ángel Dieuzede disse que em 1780 chegaram a essa área da Argentina jesuítas provenientes de Chiloé (Chile). Depois, salesianos têm um decisivo trabalho de evangelização na Patagônia.

O pastor Frank De Nully Brown informou que a Igreja Metodista chegou à Argentina no início do século XIX, mas que há 135 anos tem pregado em castelhano. Norberto Saracco disse que o pentecostalismo tem suas primeiras manifestações na Argentina em 1908, com Francescon, e, em 1910, Alicia Wood se instala no país dando início ao que logo seria a união das Assembléias de Deus.

Em nível internacional, Saracco mencionou que existe um espaço de diálogo católico-pentecostal desde 1972, mas que ele acontece, basicamente, com cristãos do Norte. O diálogo na América Latina existe somente em pequenos espaços, é formal e pouco compromissado, agregou.

Para o líder pentecostal argentino, a América Latina é o lugar onde esse diálogo deveria acontecer com mais força, pois trata-se do continente com o maior número de católicos e onde o pentecostalismo mais cresce.

Quanto ao neopentecostalismo, Saracco afirmou que essa "denominação" não faz justiça ao pentecostalismo. O fenômeno que se designa com este termo não tem nada a ver com o pentecostalismo em si. Alertou que estão ocorrendo mudanças significativas em nível do fenômeno religioso e que as igrejas devem tratar de compreender e discernir do que se trata.

Num exercício de identificar obstáculos para o diálogo entre católicos e pentecostais, os líderes da Igreja Católica assinalaram a leitura fundamentalista; a religiosidade popular e seus desvios teológicos; o fato de serem tidos como idólatras por sua concepção e relação com a Virgem Maria e os santos; interpretações das Sagradas Escrituras distintas das do Magistério da Igreja.

Os evangélicos mencionaram entre os obstáculos para o diálogo com os católicos o tema da Mariología, a compreensão da Igreja Católica acerca da unidade (ela espera que as outras Igrejas voltem a Roma); os benefícios que a Igreja Católica tem (tema que aparece no projeto de lei de Igualdade Religiosa); a rigidez litúrgica e a posição católica em relação aos direitos de saúde reprodutiva e planejamento familiar.