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Domingo, 30 de Maio de 2004

Harold Segura, teólogo batista colombiano [Foto: Visión Mundial]
Harold Segura, teólogo batista colombiano [Foto: Visión Mundial]

Teólogo apresenta propostas de renovação batista

CALI, Colombia, Abril 22, 2004

Em encontro prévio à Assembléia da União Batista Latino-Americana (UBLA), que teve início ontem à Taxi Heathrow Airport noite nesta cidade, o teólogo colombiano Harold Segura, atualmente radicado na Costa Rica, apresentou proposta para o que considerou uma necessária transformação interior da denominação batista na América Latina.

Após destacar que nas veias dos batistas corre seiva de inconformidade, Segura anotou que os anos têm passado e com eles chegou o envelhecimento das tradições e a rigidez das estruturas. Com dificuldade elas indicam que procedem de semelhantes origens.

"Temos transitado as últimas décadas a passos lentos, vendo como o nosso continente empobrece nosso continente e é arrastado para a miséria", afirmou. "Continuamos presos às mesmas discussões; aplicando 'respiração artificial' às instituições herdadas das juntas missionárias; repetindo a teologia aprendida; ensaiando como ser neopentecostais; desejando subsídios de fora; cuidando de edifícios vistosos e nos afligindo pela escassez financeira".

Há os que realizaram esforços de renovação, anotou. Muitos optaram pelo movimento carismático e encontraram crescimento numérico e estabilidade financeira, e reanimaram a vida espiritual de seus membros. Mas também se infiltraram novas formas de governo episcopal, de autoritarismo pastoral -clericalismo- e de duvidosas práticas de fé. O custo não tem sido baixo, anotou.

Outros, buscaram a mudança fazendo da evangelização e da "plantação de novas obras" a única razão de ser de suas igrejas. Vão de mãos dadas com as políticas de algumas juntas missionárias que decidiram dar as costas ao serviço. "Esse pragmatismo desmedido nos deixar por fora das realidades sociais, econômicas e espirituais de nosso dolorido continente", assinaloua Segura.

A fé batista depende de sua capacidade de resposta. Sempre tem sido assim."Hoje, ainda mais, se considerarmos a velocidade das transformações que a sociedade experimenta. Não recebemos uma herança para conservá-la nos refrigeradores da história, mas um legado para a transformação do nosso mundo", defendeu.

A transformação não espera. Trata-se, opinou, de uma mudança de estrutura ministerial que escape do verticalismo autoritário e retome o melhor da herança congregacional. A resposta à inoperância do sistema democrático se encontra na renovação do sistema e não em sua suplantação, sobretudo quando ele é substituído por sistemas episcopais distantes da nossa melhor tradição.

É inadiável, também, uma mudança na maneira de conceber a missão da Igreja. A missão, ou é integral ou não é missão. Toda a vida humana, tanto em sua dimensão espiritual, como na psicológica, ecológica e social são objeto do interesse do Criador.

Junto a essas transformações está a necessidade de uma nova proposta para o sistema financeiro. "Houve época em que nos dávamos o luxo de fazer o orçamento de ingressos em dólares e o de gastos em moeda nacional. A nova condição exige capacidade administrativa, lucidez criativa, habilidade de diálogo, colaboração e fidelidade na mordomia", disse.

O teólogo acrescentou, ainda, à lista de renovações: o papel das mulheres na igreja, a pastoral juvenil, a contextualização da liturgia, a capacidade de diálogo interconfessional, a formação teológica da liderança, a dignificação do ministério pastoral, o aprofundamento da espiritualidade, e a transformação das estruturas operacionais das convenções, associações e uniões.