![Ester Quintero, pastora pentecostal e vice-presidenta do CIC [Foto: José Aurelio Paz]](/picture/Quintero_Ester_aef5e3.jpg)
Filme "A Paixão" suscita debate
José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Abril 21, 2004
O filme "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, provocou um inusitado debate em Cuba Taxi Heathrow Airport entre pastores de diversas denominações, se o filme reflete, com fidelidade ou não, o que pode ser o entorno da história bíblica que conta.
Um grupo de pastores de oito denominações reuniu-se no final de semana, em Camagüey, no centro da Ilha, para analisar se é verdade o que as mídias especularam sobre o caráter antisemita de "A Paixão" e seu realismo exagerado ao mostrar as imagens de sofrimento na crucificação.
O filme não foi exibido oficialmente nos cinemas cubanos, mas centenas o viram através de cópias clandestinas que entraram no país.
Muitas dessas cópias apresentam-se borradas, com uma trilha péssima, e diálogos incompreensíveis pela tradução feita do aramaico ao inglês e ao espanhol. A superposição de caracteres torna a leitura muito difícil. Apesar dessas dificuldades técnicas, a expectativa fez o filme correr como rastilho de pólvora.
A pastora Ester Quintero, vice-presidente do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC), disse à ALC que "depois de ver o filme, chegamos à conclusão de que não é um ataque ao judaísmo o que o filme pretende refletir, mas uma forte crítica às estruturas de poder então imperantes".
Claro que o filme incomoda, acrescentou, em algumas cenas ele manipula o sofrimento de Jesus no Gólgota, muito sintonizado com o cinema de violência que hoje em dia é vendido no mundo.
Não se pode pretender, argumentou a vice-presidente do CIC, que um filme, como resultado artístico e com a visão pessoal de um diretor, seja a própria realidade. "Inclusive a Bíblia, inspirada em sua escrita por Deus, não pode ser separada da interpretação dos fatos segundo o conhecimento da época", alegou.
O grupo de pastores e líderes que assistiu o filme chegou à conclusão de que "independente das opiniões positivas ou negativas que motivaram 'A Paixão de Cristo', segundo o muito especial 'evangelho' de Gibson, temos que agradecer-lhe a convocação que proporcionou".
À margem dos dividendos econômicos que movem a indústria do cinema, indicaram os pastores, o filme permitiu "chegar à Semana Santa com um espírito de confrontação e busca, que sepultou o caráter contemplativo com que, às vezes, recebemos a comemoração, como se se tratasse de uma história presa no tempo, e não um desafio, a partir da cruz, para todos, todos os dias", concluiu Ester.

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