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Terça-feira, 18 de Maio de 2004

Moderador do CMI destaca importância da África para o cristianismo

GENEBRA, Suiza, Abril 16, 2004

Delegação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), encabeçada pelo secretário geral do organismo, pastor metodista Taxi Heathrow Airport Samuel Kobia, visita Quênia e Ruanda, na África, países onde a pobreza se soma aos conflitos étnicos. Kobia é queniano.

Em entrevista à assessoria de imprensa do CMI, o moderador do Comitê Central do organismo ecumênico, Aram I, disse que a visita tem um profundo significado pastoral e ecumênico.

Ela expressa o interesse que o CMI tem pela África, é uma manifestação de solidariedade ao povo de Ruanda, cuja população está imersa num processo de transformação e reconciliação depois do genocídio de 1994.

O líder ortodoxo lembrou que as igrejas são portadoras da memória histórica e às vezes da memória nacional, mas também são chamadas a ser comunidade de cura e perdão.

Saúde e perdão, analisou Aram I, estão interconectados e fazem parte da vocação cristã. A reconciliação baseia-se no perdão e o perdão deve basear-se na confissão. A verdade deve ser dita e aceita, e a memória respeitada.

"Creio na justiça restauradora quando o opressor e o oprimido se aproximam numa relação de diálogo. A finalidade última da justiça restauradora é a cura e a reconciliação. Portanto, as igrejas devem promover o tipo de sistema jurídico-legal no qual a justiça preventiva, punitiva e restauradora contribuam de modo conjunto para a transformação de toda a sociedade", definiu o moderador.

No caso do genocídio armênio, no início do século XX, muçulmanos mataram cristãos; no holocausto, em meados do século passado, cristãos mataram judeus: no genocídio ruandês, o último daquele século, cristãos mataram cristãos. Que papel a religião desempenhou, e o cristianismo em particular, durante um século que aparece como um dos períodos mais violentos da história da humanidade? – perguntou o entrevistador.

"Não estou de acordo com essa maneira de descrever alguns dos genocídios do século XX. O genocídio armênio não consistiu na matança de cristãos pelos muçulmanos pelo fato de serem cristãos. O governo turco otomano organizou e executou o genocídio armênio exclusivamente com fins políticos, principalmente para aplicar seu projeto político e ideológico de pan-turanismo. Hitler não organizou o holocausto por considerações religiosas. Também ele tinha um projeto político e ideológico", respondeu Aram I.

É correto, em tais circunstâncias a religião pode ser um fator negativo quando utilizada com fins políticos, acrescentou. "Creio que o mau uso da religião é uma questão grave que deve ser tratada de uma perspectiva mais ampla no contexto do diálogo inter-religioso", afirmou.

O genocídio é uma das expressões mais horríveis da violência, além do terrorismo. "É um crime contra a humanidade. A comunidade internacional, assim como todas as religiões do mundo, não podem aceitar tais crimes. Portanto, quem perpetrou ou pode perpetrar tais crimes deve ser julgado", definiu.

Indagado se a África, com sua notável taxa de crescimento eclesial, desempenhará um papel particular no futuro do cristianismo neste século, o moderador do CMI opinou que o continente "cresce em importância como região por muitas razões. O movimento ecumênico deve levar a África muito a sério".

A África, alegou Aram I, não pode ficar na periferia da comunidade internacional. "Seus problemas são nossos problemas, seus sonhos são nossos sonhos, sua luta é nossa luta. O movimento ecumênico é chamado a participar em todos os processos e ações encaminhados a estabelecer uma paz duradoura na África", frisou.