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Domingo, 30 de Maio de 2004

Papel dos EUA no Haiti preocupa o Serviço Mundial de Igrejas

NOVA IORQUE, Estados Unidos, Abril 16, 2004

O Serviço Mundial de Igrejas (CWS, a sigla em inglês) enviou carta ao secretário de Taxi Heathrow Airport Estado, Cilin L. Powell, manifestando preocupação a respeito do papel dos Estados Unidos nos acontecimentos que levaram à intervenção militar estrangeira no Haiti.

"O desconhecimento do que o governo norte-americano propõe para esse país e o que parece ser a falta de um processo democrático como base para resolver conflitos nessa nação caribenha" preocupa a agência ecumênica de ajuda humanitária e para o desenvolvimento mais antiga dos Estados Unidos.

A carta assinala que o Serviço Mundial de Igrejas acompanha o povo e as igrejas do Haiti há tempo e atualmente, em coalizão com outros organismos, responde à situação humanitária do Haiti. Por essa razão, faz um chamado ao governo de Washington "a refletir seriamente sobre seu papel no passado, presente e futuro do Haiti".

A carta, assinada por John L. McCullough, diretor executivo do CWS, recorda ao secretário de Estado norte-americano que "por muito tempo os haitianos têm lutado sob o peso de ser um dos países mais pobres e instáveis do hemisfério. É hora do Haiti se voltar para a paz, a estabilidade e a prosperidade para todos seus cidadãos e cidadãs".

O Serviço Mundial de Igrejas pede, especificamente, uma investigação independente sobre o papel dos Estados Unidos na partida do presidente Jean-Bertrand Aristide, como tem solicitada pela Comunidade do Caribe (CARICOM) e membros do Congresso norte-americano.

"A resolução deste assunto contribuirá para curar essa nação dividida e a renovar a confiança no processo democrático", manifestou a CWS. Aristide sustenta que forças norte-americanas o obrigaram a se exilar no dia 29 de fevereiro passado.

O organismo humanitário agrega que é necessário recorrer ao multilateralismo regional para respeitar o direito do Haiti à autodeterminação, especialmente com a participação da CARICOM num acompanhamento de longo prazo. Também é preciso, disse, o aumento significativo da ajuda dos Estados Unidos para assuntos humanitários e para o desenvolvimento, como parte de uma estratégia a longo prazo para o Haiti.

Além disso, pede que se atenda o clamor dos haitianos residentes nos Estados Unidos, dos refugiados e dos que pedem asilo, ante as ameaças de deportação. "Estamos muito angustiados com a política norte-americana de fazer regressar todos os refugiados haitianos interceptados em alto mar", anota.

A carta a Powell lembra que, em novembro passado, uma delegação de 12 representantes da Conferência do Caribe (CCC), do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e da CWS visitou o Haiti a convite da Federação Protestante do Haiti (FPH).

A delegação, frisa, manteve reuniões com indivíduos e organizações em Porto Príncipe, quando comprovou a profunda divisão existente na sociedade haitiana, o que parecia ser uma incapacidade para sair do impasse imperante, apesar dos chamados de vários setores por ações que desembocassem em novas eleições, como estabeleceu originalmente a Organização de Estados Americanos (OEA).

Anota que a Igreja Unida do Canadá, em carta a Bill Graham, ministro de Assuntos Exteriores do Canadá, declarou que "as tentativas de culpar o fracasso da democracia no Haiti a uma só pessoa apenas servem para desviar a atenção do papel e da responsabilidade das potências ocidentais, que prometeram muito em 1994 e outorgaram pouca assistência financeira e técnica no transcurso da década passada".

A luta do Haiti pela reconciliação nacional e o desenvolvimento sustentável necessita acompanhamento de longo prazo da comunidade internacional, disse a CWS. O organismo assinala que as igrejas do Haiti assumiram um papel de pacificadoras e mediadoras. "Hoje, mais do que nunca, a Igreja e suas instituições são chamadas a ser instrumentos de paz, a consolar comunidades divididas, e a dizer a verdade de modo incansável", conclui.