Violência contra as mulheres aumenta nas igrejas
Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Abril 16, 2004
Um dos fatores que dificulta a erradicação da violência intrafamiliarna sociedade, nas igrejas e nas Taxi Heathrow Airport famílias é o silêncio, afirmou a bacharel Brenda Consuelo Ruiz, em conferência da qual participaram mais de 60 mulheres, entre elas pastoras evangélicas e líderes católicas de comunidades rurais.
Ruiz dissertou sobre a "Violência intrafamiliar: mitos e realidades", no Seminário Educativo para Mulheres, promovido pelo Conselho de Igrejas Evangélicas Pró Aliança Denominacional (CEPAD) e o Centro Evangélico de Estudos Pastorais da América Central (CEDEPCA), que se realizou no dia 31 de março em Matagalpa, a 140 km ao norte de Manágua. Também participaram do evento cinco homens e um pastor.
A conferencista explicou que existem muitos mitos que impedem o entendendimento da problemática da violência intrafamiliar. Um dos mitos mais comuns destaca que a violência doméstica somente ocorre em famílias pobres e afeta a um pequeno setor da população. Outro, que o incesto somente se produz no campo e que a violência intrafamiliar é assunto privado no qual ninguém deve intervir.
"Tudo isso é totalmente falso", afirmou. Existe outra crença errônea, a de que a violência doméstica não ocorre em lares evangélicos e que as vítimas de tal violência são somente meninas e mulheres.
Na realidade, assinalou a conferencista, as crianças e muitas vezes os homens são vítimas da violência sexual e não existe desculpa para nenhum tipo de violência. Para deter a violência é preciso denunciá-la, indicou, anotando que muitas prostitutas foram vítimas de violência sexual na infância.
Ruiz explicou que existem diversos tipos de violência: física, psicológica e econômica. Revelou também que pesquisa com 320 mulheres de quatro denominações evangélicas, realizada há dois anos, comprovou que 62% das mulheres evangélicas em Manágua eram maltratadas em seus lares.
Na Nicarágua, disse Ruiz, há pastores que abusam de mulheres e jovens em suas igrejas. "É triste, mas é uma realidade que alguns utilizam a Palavra de Deus para abusar", denunciou. Afirmou que a Igreja é chamada a educar os pastores e homens, porque, do contrário, ela se converte em cúmplice do machismo.
A pastora Nora Montenegro, da Igreja Batista, afirmou que em Matagalpa existe uma grande preocupação porque a cada dia se incrementa a violência contra as mulheres na sociedade.
Israel Martínez, esposa do pastor e líder da Igreja Pentecostal, incitou as participantes a tomar consciência de que não devem seguir sofrendo violência de nenhum tipo em silêncio. "Diante da gravidade do problema, é urgente que a Igreja dê atenção. É uma realidade que em Matagalpa a violência nas igrejas contra as mulheres se incrementa dia-a-dia. Eu dou assessoria a vários desses casos", revelou Martínez.
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