Por que diferem tanto os enfoques jornalísticos?
Alberto Avila, BUENOS AIRES, Argentina, Abril 14, 2004
"Nesse mundo traidor nada é verdade, nada é mentira, tudo é
segundo a cor da Taxi Heathrow Airport
lente com a qual se olha". Calderón de la Barca
Já faz dois anos desde que as associações que reúnem as igrejas evangélicas da Argentina começaram um trabalho delicado para poder derrubar a imagem pejorativa que os meios de comunicação de massa atribuíam sempre, de modo inevitável, aos evangélicos, quando existia a oportunidade de tratar notícias relacionadas com esse grupo de igrejas cristãs.
Hoje, mesmo que não mais existam aquelas operações midiáticas que se exercia com a finalidade de nem mesmo nomear outras religiões ou movimentos de fé que não pertenciam à ancestral igreja romana, graças a Deus as atividades da igreja evangélica da Argentina alcançaram uma magnífica etapa de diálogo e relação de maturidade com as autoridades pontifícias do país.
Diálogo que se viu enriquecido com a criação, na unidade da diversidade, do Conselho Nacional Cristão Evangélico (CNCE), que pouco a pouco foi integrando as igrejas evangélicas à vida institucional, cultural e social da República.
Isso fez com que se conseguisse aparar arestas antigas, baseadas mais nas "coisas que nos separam" do que nas "coisas que nos unem". Hoje, sentados na Mesa do Diálogo Argentino, podemos dizer que estamos desandando um caminho de contendas e discussões mais fanáticas que racionais, mas caprichosas do que espirituais.
Esse estado de situação impactou os meios de comunicação de massa de uma maneira impressionante. A imprensa diária vê com olhos de expectativa a atividade espiritual e social que os evangélicos vêm desenvolvendo há tanto tempo e que injustamente fora rala enquanto informação pública.
Tudo isso é fruto, sem dúvida, de uma maturidade quase obrigada à qual os argentinos tiveram que se submeter por causa da situação extrema pelas quais passamos.
O surpreendente dessa mudança de opinião e de visualização da tarefa e obra da igreja evangélica é que elas foram valorizadas e interpretadas positivamente pela imprensa secular. Em contrapartida, alguns setores de nossas fileiras informativas cristãs descarregam insuspeitas e desmedidas críticas.
Depois de rogarmos por anos a nosso Senhor que os meios de comunicação de massa acabassem com os óculos escuros com os quais viam toda a nossa atividade de igreja, quando não a ignoravam com uma soberba cega, agora acontece que muitos de nossos irmãos na fé recolheram as lentes descartadas pelos que nos criticavam durante anos com e sem motivos.
Quais obscuras intenções fazem que desmesuradamente se falseie informação, se publique o que não aconteceu, se cite opiniões "contrárias" sem informar quem são essas pessoas, quais são essas opiniões, e o que é pior, atribuir caprichosa e unilateralmente tendências ideológicas e doutrinárias a um ato no qual se buscou ao máximo o consenso e a unidade na diversidade denominacional de nossas igrejas?
A categoria de muitos desses comentários e opiniões jornalísticas responde, na maioria das vezes, a um tipo de imprensa que se regozija dos aspectos negativos do assunto em aberta busca de um público particular para seu consumo, quando não simplesmente manifestam algum preconceito ou má vontade contra quem são dirigidos.
Devo reconhecer que muitas vezes esses tópicos costumam ser apresentados como uma somatória na busca de captar um determinado mercado.
Defenderei a todo custo a liberdade de publicar o que a cada um dos jornalistas e meios lhes pareça, enquadrado, como não poderia ser de outra maneira, na liberdade de expressão e na liberdade de imprensa. Mas é importante que reflitamos sobre a hora de poder confundir informação pública com informação publicada, estado de animosidade com opinião jornalística, marketing com informação.
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Alberto Ávila é jornalista com trajetória secular e cristã, licenciado em Teologia. É responsável pelo setor de imprensa e comunicação da ACIERA (Alianza Cristiana de Iglesias Evangélicas de la República Argentina).

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