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Terça-feira, 18 de Maio de 2004

Padre e ex-bispo acham estranho investigarem morte de cardeal ocorrida há anos

LIMA, Perú, Abril 12, 2004

O sacerdote jesuíta Armando Nieto e o ex-bispo de Chimbote, Luis Bambarén, qualificaram de estranha Taxi Heathrow Airport e extravagante a investigação aberta pelo fiscal dos Direitos Humanos, Héctor Villar Huamán, sobre a morte do cardeal Augusto Vargas Alzamora, ocorrida no ano 2000.

No início da semana passada foi anunciado que o Ministério Público chamara como testemunhas o cardeal Juan Luis Cipriani e dom Bambarén, por serem as últimas pessoas que viram o cardeal Vargas Alzamora com vida. Bambarén, então presidente da Conferência Episcopal Peruana, renunciou, por limite de idade, ao bispado de Chimbote, um porto pesqueiro do norte do país.

Bambarén mostrou estranheza pelo fato de somente agora, quatro anos depois da morte do cardeal, o Ministério Público pretenda esclarecer o falecimento de seu amigo. O cardeal Vargas Alzamora sofreu derrame cerebral no dia 30 de maio de 2000. No mesmo dia, ele foi transferido a uma clínica particular, onde faleceu no dia 4 de setembro, aos 77 anos de idade.

Há dois anos, um fiscal revelou que um implicado nas atividades corruptas de Vladimiro Montesinos, o assessor do ex-presidente Alberto Fujimori, declarou que escutara conversa do coronel de polícia Manuel Aybar Marca e Montesinos, quando este revelou que haviam infiltrado um agente no arcebispado. O agente teria fornecido ao monsenhor Vargas um tóxico de efeito lento, que lhe ocasionou a morte. Essa a versão que o fiscal Villar investiga agora.

O padre jesuíta Nieto qualificou de fora de lugar e inexistente a versão do suposto colaborador, "pois todos sabem que o ex-cardeal faleceu por causa de uma prolongada doença", afirmou.

Na missa dominical, no Dia de Ramos, 4 de abril, o cardeal Cipriani denunciou como uma ofensa à sua dignidade a citação do fiscal e disse que a investigação sobre a morte de Vargas Alzamora era uma manipulação política.

O bispo Hugo Garaycoa, presidente da Conferência Episcopal, emitiu um comunicado lamentando que se manipule com a figura de um defunto e se lastime a pessoas como o cardeal Cipriani.