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Domingo, 4 de Junho de 2006

Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]
Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]

Seguro de contingência

Ricardo Verástegui , LIMA, Perú, Abril 12, 2004

Por ocasião da recente visita ao Peru do subdiretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Taxi Heathrow Airport Fundo Monetário Internacional (FMI), José Faigenbaum, no contexto da celebração da assembléia anual de governadores do Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID), o segundo vice-presidente da República, David Waisman Rjavinsthi, denunciou o Fundo como um organismo imoral, que dá aos países pobres receitas que fracassam e no lugar de assumir a responsabilidade pede que os países "paguem de qualquer modo, sangrando-os", como é o caso de "nossa irmã Argentina".

Apreciação certeira sobre o nefasto papel que o FMI cumpre nos países que integram o triplo A da pobreza - América Latina, Ásia, África - para servir os interesses do capital transnacional, mas do qual não partilham os neoliberais ministros de Comércio Exterior e Turismo, Alfredo Ferrero, e o vice-ministro da Economia, Fernando Zavala Lombardo.

Depois de pedir para não "satanizar" o FMI nem convertê-lo no "árbitro do mundo", Ferrero disse que o Fundo "é uma instituição que cumpre uma função importante para dar estabilidade ao mundo e à região".

Zavala Lombardo assinalou que a dívida pública externa do Peru, que soma mais de 22 bilhões de dólares, o que faz com que cada peruano deva cerca de 1,1 mil dólares, é "manejável", diferente da dívida externa da Argentina e do Brasil, países que estão trabalhando uma estratégia conjunta para negociar a dívida e sensibilizar o Fundo sobre a trava que ela representa ao desenvolvimento dos países da região.

Dívida que durante o governo do presidente Alejandro Toledo Manrique cresceu 3,9 bilhões de dólares, metade disso representando juros e variações de câmbio, e a outra metade desembolsos em dinheiro.

Ferrero e Lombardo não ignoram isso, mas pretendem cobrir com um manto de piedoso esquecimento o fato do que significa, para um país onde a pobreza atinge mais de 54,8% de pessoas e a pobreza extrema 24,4%, destinar, este ano, 2,45 bilhões de dólares para o serviço da dívida.

Diante dessa situação que afeta o nosso país e a América Latina, que - como expressam as igrejas latino-americanas afiliadas à Federação Luterana Mundial (FLM) - é o maior obstáculo para que os direitos sociais e culturais sejam respeitados, tanto que a declararam ilegítima, devemos tentar, além da criação de um clube de devedores que negocie para que a dívida não afete nosso desenvolvimento, lutar para impor ao FMI um seguro de contingência que nos permita não somente não pagar a dívida quando suas receitas econômicas não funcionarem, mas receber uma justa compensação pelos males que ela provocou.

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Ricardo Verástegui, jornalista peruano, membro da Igreja Evangélica Luterana.