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Domingo, 16 de Maio de 2004

Igreja com rosto de mulher

Edelberto Behs, SAO LEOPOLDO, Brasil, Abril 8, 2004

 A igreja luterana da Nicarágua tem rosto de mulher. Suas principais lideranças são mulheres, afiançou Taxi Heathrow Airport a presidente da Fé e Esperança, nome que a denominação adotou desde sua fundação, há 15 anos.

A pastora Victoria Cortez Rodriguez participou da reunião de bispos e presidentes de igrejas vinculadas à Federação Luterana Mundial (FLM), em São Leopoldo, dias 30 de março a 2 de abril.

Envolta numa sociedade tremendamente machista, onde a violência contra a mulher alcança índices assustadores, a Igreja Luterana Fé e Esperança procura trabalhar a auto-estima das mulheres. "Partimos da Bíblia, um livro escrito e traduzido por homens. Aprendemos a ler a Bíblia com olhos de mulher", explicou a pastora Victoria.

Essa leitura é oferecida a todos. "Queremos engajar homens e mulheres, juntos, na reflexão da Bíblia", disse, tanto que a igreja alterou a denominação de Pastoral da Mulher para Pastoral de Gênero. "É mais inclusiva. Juntos podemos ser símbolos do reino de Deus na Terra", emendou.

A questão da violência está no centro da agenda da Fé e Esperança. Deus não quer isso para as mulheres. "Ao contrário, nos estudos bíblicos lemos como Jesus rompeu com os padrões machistas da sua época, quando uma mulher valia menos que um cavalo", comparou.

Na Nicarágua, revelou Victoria, apenas 15% dos casais são formalmente casados. Trata-se de cônjuges de classe média, alta, em que o casamento ganha visibilidade social. "Nas classes pobres não se casa", garantiu. O que não é a regra na Fé e Esperança. "O pastor deve estar casado, pois ele tem o papel de ser exemplo à comunidade".

No campo político, a sociedade nicaragüense é polarizada, dividida entre sandinistas e liberais. Victoria fala do segundo país mais pobre da América Latina, depois do Haiti, que apresenta uma taxa de desemprego de 50% e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que favorece apenas a classe alta. "Os pobres estão cada vez mais excluídos", relatou em entrevista para a ALC.

Se a sociedade está polarizada, na igreja isso não pode acontecer. "A igreja é para todos e cabe a ela ser profética, pregar a justiça, dando nome à injustiça", afiançou. Situações de injustiça não são da vontade de Deus, garantiu.

Pelo fato de ser formada em sociologia e economia facilita à pastora ver onde está Deus no mundo e onde estão os homens, "e posso garantir que na América Latina Deus não está presente na injustiça, porque Deus é amor", frisou.