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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2004

Cardeal Cipriani quebra solenidade da Semana Santa

Hugo Lévano, LIMA, Perú, Abril 7, 2004

O cardeal e arcebispo de Lima, Juan Luis Cipriani, ocupou na terça-feira as capas de Taxi Heathrow Airport todos os jornais da capital, por causa da denúncia que apresentou contra fiscal, publicamente, no Domingo, ao pregar na catedral.

O fiscal Hector Villar Huamán investiga a morte do cardeal anterior e arcebispo Augusto Vargas Alzamora, que faleceu no dia 4 de setembro de 2000. Uma testemunha declarou que escutou conversa na qual o assessor do ex-presidente Alberto Fujimori, Vladimiro Montesinos, disse ter infiltrado alguém no arcebispado, que estava administrando um veneno lento no cardeal.

Em maio daquele ano, Vargas Alzamora sofreu um derrame cerebral. Ele esteve internado quatro meses numa clínica e faleceu, segundo o atestado de óbito, de pneumonia e insuficiência renal. Em fevereiro de 2001, Luis Vargas Alzamora, irmão do bispo, declarou que o ataque que o cardeal sofrera foi provocado pelas acusações e boicote que Ciprini orquestrou contra a fundação Lar de Cristo.

O fiscal pediu ao arcebispo Cipriani e ao ex-presidente da Conferência Episcopal Peruana, Luis Bambarén, que se declarem testemunhas, pois foram os últimos que conversaram com Vargas Alzamora na clínica.

Cipriani interrompeu a missa solene do Domingos de Ramos para manifestar indignação pela citação que, disse, ofendia sua dignidade. Ontem, denunciou numa emissora de rádio que seus telefones privados e os do arcebispado estavam grampeados até há poucos dias, e que deixou de sê-lo quando o governo desativou o Conselho Nacional de Inteligência.

O cardeal Cipriani é membro da Opus Dei, e era amigo do presidente Fujimori, que, diz-se, teria recomendado ao papa João Paulo II a nomeação de Cipriani ao Colégio de Cardeais. Suas polêmicas declarações provocaram não poucas tormentas e até algumas citações jurídicas. Ele imputou diretamente ao governo a situação presente.


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