Voltar ao início

Quarta-feira, 10 de Novembro de 2004

 [Foto: Lizzie Sotola]
[Foto: Lizzie Sotola]

Igrejas evangélicas reúnem milhares de fiéis no Obelisco

BUENOS AIRES, Argentina, Abril 5, 2004

A concentração evangélica no Obelisco desta capital reuniu, no sábado, 3, 80 mil fiéis, segundo Taxi Heathrow Airport os organizadores, 3,5 mil, segundo a polícia, e entre 15 mil a 20 mil, de acordo com o informativo Pulso Cristiano.

A participação de fiéis foi, de qualquer modo, inferior às concentrações convocadas pelo Conselho Nacional Cristão Evangélico (CNCE) em 1999, quando 200 mil pessoas acorreram ao Obelisco, ou em 2001, que teve 250 mil participantes.

Este ano, os evangélicos reuniram-se no Obelisco da capital e em outras 30 cidades do interior do país. No sábado, Buenos Aires viveu um dia atípico para o outono, uma vez que a temperatura alcançou 33 graus centígrados, somada à greve dos metroviários.

A concentração teve a presença do chefe de governo da capital, Aníbal Ibarra, e do diretor do Registro Nacional de Cultos, José Camilo Cardoso, além do empresário Juan Carlos Blumberg, que solicitou o encaminhamento de petição ao Congresso para que regule o porte de armas e aumente as penas para delitos graves.

Dois dias antes, na quinta-feira, 1, mais de 150 mil pessoas concentraram-se em frente ao Congresso para reclamar medidas drásticas contra a delinqüência e expressar solidariedade aos Blumberg, que teve seu único filho, Axel, seqüestrado e morto no mês passado.

"Não podemos deixar de orar por ele", disse o pastor Rubén Proietti, presidente do CNCE, ao explicar a razão da presença imprevista de Blumberg na manifestação. "Vamos trabalhar, em nossas igrejas, por essa cruzada" pela segurança cidadã, encabeçada pelo empresário, disse Proietti.

O presidente do CNCE leu o documento "Jesus Cristo, nossa esperança", que questiona o fato de a liberdade de culto, garantida pela Constituição, sofrer uma "injusta discriminação". "No nosso país há liberdade religiosa, mas não igualdade religiosa", afirmou.

Argumentou que as igrejas evangélicas não são reconhecidas como associações religiosas e que elas têm que funcionar como associações civis ou fundacionais. Os evangélicos, disse, "não pedem privilégios, mas uma legislação que reconheça a personalidade religiosa de todos os credos".

O documento assinala que as igrejas apoiam a "incipiente reativação econômica, os mecanismos de transparência para propor juizes para a Corte Suprema", e afirmam que "a dignidade recuperada como Nação nas negociações internacionais abrem janelas de esperança".

Os evangélicos agradecem a Deus pela reação do povo contra "a corrupção e a falsidade", e por todos os que trabalham para "construir uma sociedade diferente, unida e reconciliada em meio à diversidade".

Expressaram dor pelos "altos índices de pobreza e exclusão social" e condenaram a violência, com suas seqüelas de crimes e seqüestros que açoitam a nação. "Vivemos indefesos diante de forças de seguridade muitas vezes corruptas e uma justiça ineficiente", diz o pronunciamento.

O documento frisa que a CNCE se opõe a toda falsa justificação da morte, seja por meio da guerra ou do terrorismo, a eutanásia ou o aborto. "Não há lugar aqui para aceitar como matrimônio a união de pessoas do mesmo sexo", assinala.

Para os evangélicos, "uma Argentina próspera e abençoada é possível, se nos volvermos a Deus, como Nação, se fecharmos as feridas do passado com verdade, arrependimento, perdão e justiça, se nos comprometermos em amor com o próximo, se deixarmos de aceitar como natural a injustiça, a mentira, o roubo, o adultério, a homossexualidade, a idolatria, a estafa e coisas semelhantes as quais Deus rechaça".

Constituem a CNCE a Federação Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas da República Argentina, que congrega batistas, Irmãos Livres, Exército da Salvação e pentecostais; a Federação Argentina de Igrejas Evangélicas, que compreendem metodistas, anglicanos, reformados e luteranos; e a Federação Confraternidade Evangélica Pentecostal.

A redação do documento gerou controvérsias na CNCE, tanto que um dia antes da manifestação as igrejas Evangélica do Rio da Prata (IERP) e Evangélica Luterana Unida (IELU) anunciaram que não participariam da concentração no Obelisco porque não estava garantida a transmissão de uma mensagem única e consensual entre as igrejas evangélicas.


Ultimos titulares