Igrejas luteranas vão levar tema da dívida externa aos púlpitos
Edelberto Behs, SAO LEOPOLDO, Brasil, Abril 5, 2004
As igrejas da América Latina filiadas à Federação Luterana Mundial(FLM) vâo levar aos púlpitos o Taxi Heathrow Airport tema da dívida externa e a carga que ela representa para as populações da região. As igrejas entendem que a dívida e os juros dela decorrentes são o maior obstáculo para que os direitos sociais e culturais sejam respeitados.
A decisão foi tomada por bispos e pastores presidentes de igrejas da América Latina filiadas à Federação Luterana Mundial (FLM), que estiveram reunidos em São Leopoldo, de 30 de março a 2 de abril.
"Não é um tema fácil, mas não podemos continuar tolerando as conseqüências disso para a população que sofre com o pagamento da dívida", disse à ALC o secretário do organismo ecumênico para a América Latina e o Caribe, pastor Martin Junge.
Na Europa, igrejas têm a expectativa de que a voz latina pode incidir mais forte nesse assunto. A Ajuda das Igrejas da Noruega (AIN) desenvolve campanha contra a dívida contraída por ditadores, destacando que a mesma infringe leis internacionais que regem o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Na Alemanha, o Serviço Evangélico de Desenvolvimento pretende apresentar mecanismos de arbitramento da dívida, destacando que a parte ilegítima não pode ser cobrada da população. Na América Central, preocupam os Tratados de Livre Comércio, que, assim como desenhados, trarão sérias às economias locais.
Para líderes de igrejas luteranas da América Latina, a dívida é ilegítima. Mas eles não querem ficar restritos à denúncia. Por isso, vão enfatizar o estudo do caso da Argentina, cuja dívida tem um perfil internacional muito alto e foi o país que seguiu à risca a receita do FMI, e mesmo assim caiu na bancarrota. A partir desse estudo, pretendem apresentar propostas de superação da dívida.
Numa região carente de recursos no meio social, igrejas luteranas vão valorizar a rede de diaconia (serviço social), promovendo informação, o intercâmbio de recursos humanos, de recursos materiais e das experiências colhidas em congregações.
"As lideranças estão conscientes de que a diaconia é a marca de todas as nossas igrejas", disse Junge. Outro tema que as igrejas vão enfrentar de frente é o apoio à pastoral ecumênica HIV/Aids.
A Conferência de Bispos e Pastores Presidentes de Igrejas Luteranas filiadas à FLM (COP) remeteu carta de solidariedade às igrejas Evangélica Luterana do Chile (IELCH) e Luterana do Chile (ILCH) manifestando alegria pela convenção conjunta que vão realizar nos dias 16 a 18 de abril. A COP viu na iniciativa um sinal da busca de diálogo entre as duas denominações.
O pastor Humberto Ramos Salasar, presidente da Igreja Evangélica Luterana Boliviana (IELB), foi eleito moderador de COP para os próximos três anos. A pastora Gloria Rosas, da IELCH, é a vice-moderadora. Depois da eleição. Gloria afirmou que pretende promover, na agenda luterana, a discussão em torno da ordenação de mulheres ao sacerdócio.
Das 13 igrejas luteranas da região, filiadas ao organismo ecumênico confessional, só duas, por razões culturais e históricas, não ordenam mulheres ao pastorado - a IELB e a ILCH -, que pretendem, contudo, facilitar a reflexão em seu meio quanto ao tema.
Participaram do encontro de COP 30 líderes e representantes jovens e de mulheres das igrejas luteranas da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Venezuela. O próximo encontro de COP terá lugar na Colômbia, em 2005.

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