Teólogo destaca um Jesus jovial
LIMA, Perú, Abril 5, 2004
Nesses tempos de dúvidas, de incertezas e de impressão de que é impossível lutar contra Taxi Heathrow Airport a maldade que impera no mundo, os cristãos devem lembrar de uma arma - o humor - que se mostrou eficaz contra grandes poderes do mal, sustentou o teólogo católico chileno Diego Irarrázaval.
O diretor do Instituto de Estudos Aymaras (IDEA), com sede em Puno, Peru, e professor visitante da Universidade Bíblica Latino-Americana, sede Lima, destacou que o humor teve relevante papel na luta contra as ditaduras de Augusto Pinochet, no Chile, Francisco Franco, na Espanha, e o comunismo soviético, no Leste da Europa.
O humor, disse, não tem nenhuma relação com piadas agressivas, que ferem a dignidade, divulgadas pela mídia e que ofendem e humilham a mulher, o negro e o indígena.
Irarrázaval é autor do livro "Um Jesus jovial", editado pelas Paulinas em Lima e São Paulo. Ele arrola, no livro, que o cristianismo latino-americano, por seus antecedentes católicos, coloca acento num Jesus Cristo crucificado, sofredor. O cristianismo evangélico, destacou, herdou do catolicismo a ênfase doutrinal de que é preciso ensinar um povo ignorante.
Naturalmente, disse, o povo andino respondeu ao controle dominante espanhol com um humor que, de forma camuflada, zombava do grande. Na pesquisa que desenvolveu, o teólogo católico notou que exegetas falam muito pouco da alegria, do gozo cristão. Ao recorrer a psicólogos e médicos, descobriu que há 56 maneiras de sorrir. O sorriso movimenta uma quantidade de músculos. Mas não é dada a devida importância à interação humana do humor.
Na Bíblia, ele viu que há algumas referências ao humor no Antigo Testamento; no Novo Testamento existem 167 referências ao humor, o que o autor analisa em nove capítulos do seu livro.
Assim, deparou-se, por exemplo, com expressões da cultura palestina, da linguagem popular, que se mostram incongruentes e sempre surpreendentes, porque o humor tem esse elemento da surpresa. Elas demonstram que Jesus, diante da prepotência do poder religioso, dos sacerdotes do templo, zomba, ri e deles toma distância.
Esses, ao darem esmola, disse Jesus, fazem reluzir suas carteiras e quando querem apresentar-se como justos cometem injustiça. Há uma série de expressões que desmontam as pretensões de importância dos sacerdotes, e que os desnudam. O provinciano, o galileu, sem educação formal religiosa, recorre ao humor para replicá-los.
Irarrázaval frisa que o rosto jovial de Jesus é muito importante no mundo terceiromundista de hoje, sobretudo na tarefa evangelística, na qual é preciso abandonar a pose de professor doutrinador, para abordar uma relação de busca conjunta de Deus, com liberdade, simpatia e alegria.

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