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Sábado, 3 de Abril de 2004

Lutero em outras companhias

SÂO PAULO, Brasil, Março 30, 2004

Contra o imperialismo cultural, a Sociedade de Observadores de Saci (Sosaci) quer colocar frente a Taxi Heathrow Airport frente, numa batalha travada no imaginário coletivo, o mitológico Saci no combate aos x-men, pokemon, raions, promovidos pela indústria cultural.

A ONC - Organização Não-Capitalista, como a Sosaci se define - propõe a instituição do "Dia do Saci e seus amigos", a ser comemorado no Brasil em 31 de outubro, data em que escolas de inglês e organismos culturais lembram o "Halloween" (dia das bruxas) e os evangélicos o Dia da Reforma protestante.

Em municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, onde a influência evangélica é significativa, 31 de outubro é feriado municipal, em homenagem ao reformador. A Sosaci pretende encaminhar projeto ao Congresso Nacional para introduzir o Dia do Saci.

"O Saci é reconhecido como uma força da resistência cultural", argumenta a ONC. Por que "raions", duendes e gnomos? - indaga a Sosaci, quando os brasileiros têm seus próprios mitos, "que não ficam nada a dever a esses importados, comerciais, que são usados para anestesiar a auto-estima do nosso povo".

Acompanham o Saci nessa luta a Iara, o Boitatá, o Curupira, o Mapinguari, o Boto, a Mula-sem-Cabeça, a Cuca e outras figuras da mitologia tupiniquim. O Saci, diz o manifesto da ONC, "trabalha pela união e pelo entendimento das várias iniciativas culturais que devolvam ao nosso povo a valorização de sua identidade cultural".

Segundo o manifesto, a cultura popular "é um elemento essencial à identidade de um povo. As tentativas insidiosas de apagar do imaginário do povo brasileiro sua cultura, seus mitos, suas lendas, representam a tentativa de destruir a identidade do nosso país".

A Sosaci quer trazer de volta as lendas da tradição brasileira. O Saci, afiança, simboliza a resistência aos super-heróis e aos personagens dos filmes e desenhos importados, "que infestam o imaginário de nossas crianças e jovens. Ele desafia e enfrenta os estrangeirismos que corroem o idioma nativo, em detrimento da nossa cultura e autonomia".

Mesmo com toda essa defesa da mitologia e das lendas brasileiras, a Sosaci não se entende como xenófoba e nem pretende ir contra o movimento da globalização. "Mas ela tem orgulho de ser brasileira e, ao lado dos povos irmãos da América Latina, reivindica reciprocidade na relação com as nações hegemônicas do dito Primeiro Mundo".