Líderes cristãos são contra anistia a Alemán
Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Fevereiro 20, 2004
Dirigentes cristãos posicionaram-se, com firmeza, contra petição encaminhada por deputados do Partido Liberal para que Taxi Heathrow Airport seja aprovada lei de anistia em favor do ex-presidente Arnoldo Alemán e seus ministros, acusados de lavagem de dinheiro e fraude.
"Quisera escutar vozes proféticas de todas as igrejas, denunciando a barbaridade que pretendem cometer os deputados liberais", declarou a vice-diretora do Centro Antonio Valdivieso (CAV), Michel Najilis.
Seria um pecado anistiar o ex-presidente Arnoldo Alemán, disse o pastor Walt Morgan, diretor do Seminário Teológico Batista de Manágua. "Se os deputados aprovarem a anistia para Alemán e outros funcionários acusados de corrupção, farão um grande mal à Nicarágua, porque afastariam os investidores", alegou.
Najilis afirmou que na Nicarágua a corrupção e a impunidade foram impostas, porque em 1990 a Frente Sandinista aprovou lei de anistia. Lembrou que na época ela era funcionária do Ministério da Educação e protestou contra a medida.
O líder sandinista Daniel Ortega foi acusado de violação pela sua enteada Zoila América, mas tudo ficou impune, acrescentou. "Hoje faço um chamado para que as igrejas na Nicarágua levantem sua voz com energia", pediu Najilis.
Morgan mencionou que a Nicarágua atravessa momentos críticos, por causa do alto custo de vida, do desemprego e das tensões políticas, situações às quais se acrescenta o assassinato do jornalista Carlos Guadamuz.
O pastor Adolfo Sequeira, líder da Igreja de Deus da Nicarágua e presidente do Conselho Intereclesial de Estudos Teológicos e Sociais (CIEETS), opinou que a decisão de deixar livre o ex-presidente Alemán é uma manobra política. "Isso é ruim para o país. Deixá-lo livre cabe aos tribunais de justiça", argumentou.
O pastor pentecostal da Igreja Casa de Jeová, Ramón Brenes, membro do Patronato Nacional de Reos, afirmou que a justiça não brilha na Nicarágua. "A justiça deve ser equânime e alcançar todos os 5 mil presos, dos quais centenas de terceira idade que padecem doenças e os juízes não têm clemência para com eles", citou.
Já o ex-presidente Alemán goza de liberdade condicional em sua residência de Los Chiles, e é lógico que não saia até que cumpra a pena de 20 anos, defendeu Brenes.
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