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Sábado, 6 de Novembro de 2004

Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]
Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]

Tempos de turbulência

Ricardo Verástegui , LIMA, Perú, Fevereiro 18, 2004

A mobilização nacional anunciada para o próximo 17 de março em apoio a um governo Taxi Heathrow Airport de emergência nacional, da mudança da política econômica e de uma Assembléia Constituinte para redigir uma nova Carta Magna, assim como a convocação prévia de um "Acordo Nacional Popular", pela União de Frentes Regionais do Peru, expõe ao público o estado de ânimo de diversos setores da sociedade e dos tempos de turbulência política que vivemos.

Também coloca à vista a crise de governabilidade que experimentamos, se por governabilidade entendermos a capacidade de adaptação e coordenação que o Estado tem para executar suas responsabilidades, e não o ato de governar.

Governabilidade que é o ato de como se conduz o governo, sobre que métodos de governar são utilizados e como se balanceiam para oferecer um trabalho ótimo que garanta a participação cidadã, transparência, prestação de contas e o império da lei.

Crise de governabilidade da qual são responsáveis o chefe do Executivo e o governo que preside, os outros poderes do Estado (Legislativo, Judiciário), os partidos políticos, que, por sua ambição de grupo, zelam por seus interesses e não os do país, governos regionais e de boa parte de organizações que afirmam representar a população.

Situação que ameaça entorpecer e desvirtuar o processo de descentralização e modernização do Estado, necessários para garantir uma autêntica participação democrática da cidadania na construção de um modelo de desenvolvimento que traga melhores níveis de qualidade de vida.

O abandono e o desprezo que mereceu o Acordo Nacional, por parte da maioria dos que o assinaram em 22 de julho de 2002 como base para a transição e consolidação da democracia, a afirmação da identidade nacional e o desenho de uma visão compartilhada do país no futuro, através da formulação de políticas de Estado, que deviam servir como instrumento para assegurar a governabilidade, é uma prova evidente de que a classe dirigente vigente não está à altura de suas responsabilidades históricas.

Assim parece que as palavras (não carentes de verdade) expressadas em seu momento pelo então presidente do Conselho de Ministros, ao falar sobre o Acordo Nacional - "O Peru tem o enorme desafio de trabalhar intensamente para assentar as bases da nova sociedade peruana que corresponda ao tempo novo que se vai configurando neste século XXI" -, nunca foram acreditadas por quem as pronunciou nem por quem as ouviram. Distraídos, por acaso, pelo protocolo da saudação.


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