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Domingo, 29 de Fevereiro de 2004

Povos indígenas de Roraima lembram compromisso de Lula

BOA VISTA, Brasil, Fevereiro 13, 2004

 A 33ª Assembléia Geral dos Povos Indígenas do Estado de Roraima, reunida na Aldeia Maturuca, Taxi Heathrow Airport de 7 a 10 de fevereiro, lembrou o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, do compromisso já assumido de homologar a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, "um simples ato administrativo indispensável e inadiável".

Apesar de celebrativa e festiva, a Assembléia ganhou um tom de indignação diante da violência crescente e o esgotamento da paciência frente à inexplicável demora da homologação da Raposa Serra do Sol. As 1.307 lideranças indígenas representando dez povos da região reafirmaram unidade e coesão na defesa dos seus direitos constitucionais.

O documento tirado do encontro destaca que a falta de ações efetivas do Estado brasileiro, no sentido de confirmar os direitos indígenas amparados pela Constituição, "favorece todo tipo de mentiras e acusações falsas de alguns invasores de nossa terra, que aliciam alguns poucos indígenas e contam com o apoio político do governo do Estado de Roraima e de parlamentares federais e estaduais, que tentam impedir a regularização fundiária da nossa terra".

Uma centena de representantes do poder público, de entidades nacionais e da solidariedade internacional, representantes de igrejas e entidades populares participaram do encontro e deram sua contribuição aos debates, informa a assessoria de imprensa do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Já no Mato Grosso do Sul, pela primeira vez na história uma delegação com mais de 100 pessoas, de 36 entidades de movimentos sociais e populares organizaram na segunda-feira, 9, caravana de solidariedade aos Guarani-Nhandeva, em Iguatemi e Japorã, a cerca de 547 Km de Campo Grande, na fronteira com o Paraguai.

O objetivo da caravana foi de apoiar os povos indígenas na garantia de seus territórios tradicionais. Ela foi acolhida pela comunidade do Tekoha Yvy Katu, antiga fazenda São Jorge. Cada entidade prestou apoio e solidariedade, afirmando seu compromisso com os direitos indígenas.

O professor e liderança indígena Valdomiro Ortiz agradeceu o apoio e expressou sua indignação mostrando o que os fazendeiros fizeram com a terra: "Eles destruíram tudo que já tinha de destruir, desmataram, poluíram os rios; eles não vivem aqui; os bois que vendem, o dinheiro levam para São Paulo. Ñanderu-Tupã (Nosso Pai) está lá em cima para jogar trovão e chuva contra eles".

O Tribunal Regional Federal julgou recurso dos fazendeiros garantindo a permanência dos índios nas margens do rio Iguatemi, determinando a ocupação de uma faixa de 10% das fazendas São Jorge, Remanso Guassu e Paloma até que a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) conclua os procedimentos administrativos estabelecidos em decreto.