Pesquisa revela tolerância à corrupção no Peru
Hugo Lévano, LIMA, Perú, Fevereiro 12, 2004
Mesmo que a corrupção seja apontada como o quarto maior problema do Peru, segundo pesquisa, Taxi Heathrow Airport o mais preocupante é a elevada tolerância que a população mostra frente a esse delito; curioso é que 71% do universo pesquisado declararam que foram vítimas de caso de corrupção e apenas 37% apresentaram denúncia.
Os principais problemas do Peru são, segundo a pesquisa, o desemprego, a crise econômica, a delinqüência, a corrupção e o consumo de drogas, nessa ordem.
Pesquisa nacional sobre corrupção, realizada por Apoyo - Opinião e Mercado, e Pro-Ética, mostrou que a percepção do que seja corrupção é muito baixa entre os peruanos. Pagar suborno a um funcionário para agilizar qualquer trâmite foi considerado normal por 9% dos entrevistados e aceitável por 66%.
Dos pesquisados, 6% consideram aceitável que um funcionário favoreça parentes e amigos; 70% acham que é tolerável; 2% disseram que é normal cruzar um sinal vermelho, se não houver outros veículos na rua; 73% o qualificaram de tolerável.
A pesquisa revelou que 74% dos peruanos qualificam o Poder Judiciário como a instituição mais corrupta do país. Mas 80% declararam que não denunciaram qualquer caso de corrupção envolvendo o Judiciário por temerem represálias ou por medo de terminarem no banco dos reús; 81% disseram que não apresentaram denúncias contra o Judiciário porque nunca vão atrás dos responsáveis.
Depois do Poder Judiciário, as instituições mais corruptas, na concepção dos peruanos, são a polícia (71%), o Parlamento (49%), e o governo central (47%).
O jurista José Ugaz, presidente da Pro-Ética, disse que é preocupante que a tolerância com a corrupção tenha subido de 66%, em 2002, para 75% no ano passado. A conotação negativa de propina diminuiu de 50% para 45% no período.
O psicólogo Jorge Bruce declarou que constata-se uma combinação da "falta de interiorização da norma com uma cultura de sobrevivência. Muita gente não tem uma percepção muito clara dos limites entre o permitido e o proibido. Aí há uma tarefa de discussão e aprendizagem que não cabe apenas às instituições encarregadas da ordem" faze-la.
O pesquisador do Instituto de Estudos Peruanos, Julio Cotler, declarou que esse "é um padrão cultural que arrastamos há tempo. Com a estreiteza econômica e as dificuldades burocráticas, a única maneira para sobreviver é dando a volta na lei e na autoridade". É preciso criar condições para que as pessoas não tenham que cair nas malhas da corrupção, enfatizou.
Pesquisa da Transparência Internacional sobre o grau de corrupção, publicada em outubro de 2003, colocou o Peru no posto 59 entre os 133 países avaliados. Finlândia, Islândia, Dinamarca e Nova Zelândia foram qualificados como os menos corruptos do planeta, enquanto que Paraguai, Haiti, Nigéria e Bangladesh se destacaram no extremo oposto.
Na América Latina, segundo aquele pesquisa, o Chile foi apontado como o país menos corrupto, com 7,4 pontos numa escala de um a dez de menor corrupção, enquanto que o Peru, Colômbia e El Salvador apareceram na metade, com 3,7 pontos.

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