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Domingo, 29 de Fevereiro de 2004

Evangélicos denunciam plano para acusar Esquivia de apoio às FARC

BOGOTA, Colombia, Fevereiro 11, 2004

 O Conselho Evangélico da Colômbia (CEDECOL) denunciou, depois de receber informações de diversas fontes, plano Taxi Heathrow Airport para prender o seu vice-presidente e diretor nacional da Comissão de Restauração Vida e Paz, Ricardo Esquivia Ballestas, sob a falsa acusação de ser membro ou colaborador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Esquivia é fundador e até há pouco foi diretor da associação Justapaz. Ele é conhecido nacional e internacionalmente por seu trabalho em favor da paz. Há meses, renunciou à direção de Justapaz para viajar à área montanhosa dos Montes de Maria, entre os departamentos de Bolívar e Sucre, no litoral Atlântico, para colaborar com a Igreja Menonita nos esforços ecumênicos de construção da paz, do desenvolvimento sustentável e da mediação do conflito na região.

A região é de alta conflitividade. O presidente Alvaro Uribe propôs criar ali uma "Zona de Concentração e Reabilitação" como medida de "segurança". O controvertido projeto foi descartado pela Corte Constitucional.

Justapaz informou, em comunicado, ter conhecimento de que militares estão inquietos por causa dos planos de Esquivia de se transferir para a área. Eles se sentem ameaçados pelos recursos e a capacidade de organização que tem a fundação ecumênica, que é dirigida por três bispos e por Esquivia.

De acordo com a lógica dos militares, o fortalecimento social das comunidades favorece a guerrilha e temem que Esquivia e a fundação "desestabilizem" a área.

O CEDECOL, formado em 1950 e reconhecido oficialmente como representante dos evangélicos colombianos (ele congrega 70% das igrejas, missões e denominações do país), refutou as acusações contra Esquivia, porque, garante, "conhecemos a sua integridade e o seu trabalho como mensageiro de paz diante das diferentes frentes em conflito na Colômbia".

Em janeiro, diz o comunicado de Justapaz, o escritório regional de Cartegena do Departamento Administrativo de Segurança (DAS) enviou relatório para a sua sede em Bogotá sobre Ricardo Esquivia.

Esse informe afirma que há cerca de 15 anos Esquivia era membro do Exército Popular de Libertação (EPL), menciona as viagens internacionais que fez nos últimos anos, dá detalhes sobre o seu trabalho com Justapaz e a Comissão de Restauração, Vida e Paz do CEDECOL, e assinala que ele é membro da Frente 37 das FARC.

CEDECOL destaca que muitas igrejas, pastores e membros evangélicos continuam sob ataque, sofrem seqüestros, ameaças e falsas acusações por parte dos diferentes grupos armados. No ano passado, 40 pastores e líderes foram assassinados.

Justapaz denunciou que um refugiado dos Montes de Maria contou a pastor local que um capitão da Armada viajou pela área com uma foto de Esquivia, perguntando a ex-guerrilheiros se o conheciam e pedindo que testemunhassem contra ele. Segundo a fonte, existem planos para manipular digitalmente uma gravação de Esquivia quando coordenava seminário com pessoas de igrejas, para que aparecesse como se estivesse moderando uma reunião das FARC.

O comunicado de Justapaz diz, ainda, que em dezembro passado as FARC seqüestraram, em propriedade da Comissão de Restauração, Vida e Paz de CEDECOL, um jovem que antes trabalhava com aquela organização e que, no ano passado, um promotor de Justapaz foi assassinado pela Frente 37 das FARC, exatamente pelo grupo que acusam Esquivia de ser membro.

Num caso similar, continua Justapaz, ex-guerrilheiros pagos como informantes deram falsos testemunhos contra Amaury Padilla, um advogado que trabalhava em projetos de desenvolvimento. Padilla ficou mais de um mês preso.