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Domingo, 29 de Fevereiro de 2004

Walter Altmann, pastor-presidente da IECLB [Foto: LWF-El Salvador]
Walter Altmann, pastor-presidente da IECLB [Foto: LWF-El Salvador]

Unidade e planejamento são desafios para a IECLB

PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 10, 2004

O que Jesus Cristo quer, neste momento, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil Taxi Heathrow Airport (IECLB)? A pergunta consta de relatório do pastor presidente da denominação, Walter Altmann, e estará na pauta do Fórum Nacional da Unidade: Contexto e identidade da IECLB, agendado para maio de 2004, em Araras, no Rio de Janeiro.

"Se fosse para resumir o desafio atual para a IECLB em duas palavras, eu escolheria ‘unidade’ e ‘planejamento’. A última é uma necessidade administrativa para a igreja", arrola Altmann. "Já a unidade tem a ver com o rosto da igreja, como ela se apresenta, em suma: com sua identidade". Ele alerta, contudo, que unidade jamais poder se confundida com uniformidade.

Altmann inaugura uma nova prática. Pastores presidentes encaminhavam relatórios aos Concílios, de dois em dois anos. Com esse relatório dirigido às congregações, sínodos, setores de trabalho e departamentos, Altmann presta contas e aponta caminhos possíveis para a igreja depois de completar um ano na presidência.

Ele definiu 2003 como um "claro período de transição" na IECLB. Enumerou pontos positivos da trajetória nos últimos anos, como a própria reestruturação da igreja, a adoção de um plano missionário, a introdução de nova sistemática de contribuição financeira e um forte desenvolvimento da área de formação.

Mas também encara novos desafios, como a expansão da IECLB para novas regiões do país, a pluralidade, as tensões internas, a reflexão sobre a identidade confessional, a redução de recursos do exterior, o pluralismo religioso no país e o novo momento da política brasileira.

A IECLB, sinaliza, encontra-se "num momento novo, que requer uma projeção clara de nossa identidade e missão, em direção ao futuro". São reflexões que terão lugar neste ano. Das viagens que realizou pelas congregações Brasil afora, Altmann constata uma vitalidade espiritual que perpassa a igreja. Destaca, ainda, a renovação litúrgica e as grandes iniciativas diaconais e missionárias em curso.

Preocupa-o, porém, as indefinições teológicas, a desordem da vida comunitária, o individualismo em práticas ministeriais, a inobservância de decisões da Igreja e a limitação de recursos, quadros que têm visto em suas andanças e viagens. E pergunta, no relatório, "quais os compromissos que queremos abraçar em conjunto?"

Altmann percebe tendências de imposição de práticas comunitárias, "talvez úteis, talvez problemáticas, como se fossem ‘verdades universais e divinas’". Menciona, entre tais práticas, o "rebatismo" ou batismo de adultos. A base confessional da IECLB é clara, não comporta o rebatismo.

O pastor presidente destaca que "não poderemos deixar de lidar com esta questão na seriedade que ela merece e com as conseqüências práticas que se fizerem necessárias, tanto na dimensão pastoral quanto na doutrinária". Todos esses assuntos, frisa, merecerão a atenção da direção da igreja, "que deverá atuar sobretudo teológica e pastoralmente, por vezes também disciplinarmente".

O relatório destaca as relações externas da IECLB como "um elemento importante de nossa própria identidade". Ressalta a "proveitosa história de diálogo e cooperação" com a Igreja Católica no Brasil, mas vê sombras e dúvidas lançadas pelas encíclicas "Dominus Iesus" e "Ecclesia de eucharistia". Admite que pouca experiência foi colhida da relação com pentecostais e não existe qualquer diretriz quanto às relações inter-religiosas.

Também vê a necessidade de descobrir novos mecanismos de participação em projetos da área social propostos pelo novo governo, como o Fome Zero. Lamenta que até o momento apenas a Igreja Católica e igrejas evangélicas conservadoras ou pentecostais estejam representadas nos órgãos consultivos maiores do governo.

"O dado revela que ainda devemos encontrar novos jeitos e intensificar esforços no sentido da presença pública da IECLB", reconhece. Altmann encerra o relatório destacando que não há razões para esmorecer na fé. Frisa que "nada depende de nós, tudo depende de quem nos criou, nos trouxe ao evangelho e nos sustenta em seu amor". Por isso, admoesta: "Tende bom ânimo".