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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Jovens quadrilheiros precisam de muito amor

Manuel Quintero, TEGUCIGALPA, Honduras, Fevereiro 1, 2004

O segundo dia da consulta centro-americana sobre delinqüência juvenil começou com uma sessão dramática, na Taxi Heathrow Airport qual ex-integrantes de quadrilhas compartilharam as dolorosas experiências que tiveram e deram testemunho do poder da fé na mudança de suas vidas.

Os testemunhos evidenciaram que a delinqüência juvenil, particularmente na sua expressão de gangues, tem várias e complexas motivações e causas, que vão desde a mais degradante pobreza até a falta de compreensão e de afeto no seio familiar.

Não foi, porém, a pobreza que levou Alexander às fileiras de uma quadrilha, mas o sentimento de que não era escutado nem compreendido pelos pais. "Escolhi o caminho do bando porque os jovens do grupo me ofereceram muito apoio, embora depois me desse conta de que a gente estava mesmo favorecendo os chefes principais. Mas eles me seduziram com o bonito de uma gangue, e troquei minha família pela quadrilha", contou.

A ação de pastor da igreja "Fé, Esperança e Amor", que tirou Alexander do presídio, mudou a vida desse jovem hondurenho. "Comecei a participar da congregação na igreja desse pastor e os irmãos da igreja me deram um grande apoio. Ali pude ver na realidade o que é e o que significa o amor cristão", relatou.

"Deus me perdoou pelo que fiz e agradeço a Ele e à igreja pelo apoio físico, moral e espiritual que me deram", destacou.

Já no caso de Javier, um nicaragüense que desde os 12 anos se integrou a uma quadrilha em Manágua, os sentimentos de frustração e marginalidade vinculados à pobreza do lar foram fatores determinantes para aderir à marginalidade.

"Embora eu não fumasse nem bebesse, meus companheiros na gangue eram viciados em drogas e com eles cometi atos prejudiciais, coisas graves, contra outras pessoas. Era como uma diversão, às vezes não distinguíamos o bem do mal", confessou.

Aos 19 anos, o encontro com a Igreja dos Nazarenos mudou radicalmente a sua vida. "Se nos colocamos aos pés do Senhor, somos perdoados", frisou o ex-integrante de gangue, que desde então começou a ajudar jovens na busca de saídas. Ele participa, hoje, ativamente na Associação de Jovens Cristãos da Nicarágua.

Nos últimos seis anos, a Igreja dos Nazarenos vêm trabalhando na chamada zona 6, um dos distritos com maior índice de criminalidade em Manágua. Ali Javier desenvolve o seu ministério.

"Minha própria experiência me ajudou a entender e aproximar-me desses jovens, num lugar muito perigoso; não acreditem que é fácil o trabalho com os jovens delinqüentes, pois há discussões, muita dor pelo arrependimento. Mas hoje o meu desafio é me aproximar daquele que matou, daquele que roubou; e todos temos que nos perguntar o que vamos fazer pelo irmão que está ali, nessa situação de pecado", observou.

Kenia, uma jovem nicaragüense que ingressou numa quadrilha aos 13 anos para expressar uma profunda rebelião contra seus pais, logo se afundou no alcoolismo e na drogadicção.

"Apesar de viver numa família de cristãos, rebelei-me contra eles e contra Deus, até que em 1991 ou 1992 aproximou-se de mim uma pessoa da igreja e me ajudou no meu processo de conversão a Jesus Cristo; mas depois disso ainda me custou muito sofrimento e quase seis meses para vencer o vício à droga", destacou.

Nos últimos oito anos, Kenia esforçou-se para se aproximar de jovens que estão numa situação como a que ela viveu e sofreu antes de ser resgatada pela fé e receber o apoio de uma comunidade cristã.

É uma tarefa árdua e não isenta de riscos, na qual essa jovem cristã nicaragüense decidiu investir todas as suas energias. "Temos sido objeto de zombaria e vexames, também sofremos ameaças de morte de outros jovens quadrilheiros... Mas o que eles necessitam é de muito amor", concluiu Kenia.